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Bolívia prende líderes de protestos com apoio militar dos EUA

Prisões de lideranças de protesto na Bolívia aumentam a tensão política, em meio a apoio militar dos EUA ao governo e novas renúncias ministeriais

People block one of the entrances to the city of La Paz while demanding the resignation of President Rodrigo Paz amid an ongoing economic and fuel crisis, in El Alto, Bolivia, May 11, 2026. REUTERS/Claudia Morales
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  • Bolívia enfrenta o 36º dia de protestos com mais de oitenta bloqueios de rodovias pelo país, gerando desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos.
  • Prisões de lideranças sindicais e políticas foram anunciadas, incluindo a ex-senadora Simone Quispe; outras detenções foram pedidas pela Procuradoria, mas três pedidos foram revogados pelo judiciário.
  • Organizações sociais classificam as detenções como sequestros e exigem a libertação dos detidos; o governo alega combate a atividades associadas ao narcotráfico.
  • EUA, por meio do secretário de Defesa Pete Hegseth, manifestou apoio ao governo de Rodrigo Paz, sinalizando preocupação com o “status quo” na região.
  • Dois ministros renunciaram no início de junho — Defesa e Educação — em meio à pressão dos bloqueios, enquanto o Congresso discute e analisa um novo projeto de lei sobre estado de exceção.

Nesta sexta-feira (5), a Bolívia viveu o 36º dia de protestos com mais de 80 bloqueios de rodovias pelo país. As manifestações aumentam a pressão sobre o governo de Rodrigo Paz, com críticas de organizações sociais e apoio diplomático externo sendo apontados pelos protestos. As ações ocorrem em meio a acusações de terrorismo e instigação pública para delinquir pelas autoridades.

Entre as lideranças detidas, está a ex-senadora Simone Quispe, do MAS, presa na quarta-feira (4). Outros detidos incluem Justino Apaza, secretário executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente da Federação Carrasco, de camponeses de Cochabamba. A Procuradoria também pediu a prisão de Vicente Salazar e Mario Argollo, pedidos que foram revogados pelo judiciário.

Prisões de lideranças

As prisões geraram reação de organizações sindicais, que classificaram os arrestos como sequestros e exigiram a libertação. A COB denunciou perseguições e pediu garantia de direitos das lideranças sociais, enquanto familiares de Quispe relataram irregularidades no processo de apreensão.

Contexto político e militar

O governo de direita de Paz enfrenta cinco semanas de protestos, com pedidos de renúncia. Os bloqueios afetam abastecimento de combustível, alimentos e medicamentos. Em La Paz e em outros estados houve desabastecimento registrado pela ABC, que aponta 81 bloqueios.

Apoio externo e cenário estratégico

Nos EUA, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, endossou o governo de Paz e afirmou que Washington acompanha a situação para evitar que o país retorne a um cenário de narco-terrorismo regional. Analistas brasileiros destacam que o apoio estrangeiro pode intensificar a repressão, ainda que não haja indicação de intervenção direta no momento.

Mudanças no governo e estado de exceção

No início de junho, os ministros da Defesa e da Educação, Marcelo Salinas e Beatriz García, renunciaram, seguindo uma sequência de demissões políticas em meio à pressão dos bloqueios. Ernesto Justiniano assumiu a Defesa, com histórico ligado ao combate ao narcotráfico. O Congresso discutia uma nova lei sobre estado de exceção após derrubar a norma anterior.

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