- O senador Ron Wyden, democrata de Oregon, pediu transparência sobre o centro de detenção de famílias e crianças proposto em Alexandria, Luisiana, após reportagens do Guardian.
- Wyden aponta conflito de interesse e contaminação ambiental, além de ausência de processo público no planejamento do centro, que seria operado por Compass Connections e LaSalle Corrections.
- O local, em antigo quartel, teria capacidade para 528 vagas e iria manter famílias e menores desacompanhados por cerca de 72 horas antes de serem deportados pela base regional.
- Documentos obtidos pelo Guardian mostram layouts, contratos em draft e e-mails que detalham operações; DHS não comenta o projeto.
- A Agência de Proteção à Criança e Famílias (ACF) e autoridades locais destacam que não houve assinatura de contrato e que o site apresenta preocupações de saúde e bem-estar de crianças, incluindo questões ambientais.
Ron Wyden, senador democrata do Oregon e principal membro do comitê de finanças do Senado, pediu transparência sobre o possível centro de detenção de famílias e crianças criado pela ICE em Alexandria, Louisiana. A informação foi divulgada inicialmente pelo Guardian, com base em documentos e contratos em fase de estudo.
Segundo os documentos, o centro seria o primeiro de seu tipo, ficaria parcialmente em um antigo posto militar e teria capacidade para 528 vagas. A operação incluiria famílias e menores desacompanhados por cerca de 72 horas antes de serem deportados pela via aérea regional no mesmo local.
As informações indicam que a instalação ficaria no aeroporto de Alexandria, que já abriga um centro de detenção para homens administrado pela Geo Group. Wyden sustenta que o projeto carece de um processo público e levanta riscos de conflitos de interesse envolvendo os operadores.
Conflitos de interesse e financiamento
Wyden escreveu para a Compass Connections, a ONG de proteção à criança responsável pela gestão do projeto em parceria com LaSalle Corrections, e para a HHS. O senador questiona a relação da Compass com o Office of Refugee Resettlement, órgão da HHS, que deve promover bem-estar de refugiados e crianças migrantes, não atividades de deportação.
A carta aponta que a Compass recebeu mais de 1,6 bilhão de dólares em fomento federal nos últimos três anos para o cuidado de crianças no programa de menores desacompanhados. O documento envolve 14 perguntas sobre governança, operações e possíveis conflitos com a função de ORR.
Questões ambientais e operacionais
Wyden também cita preocupações sobre contaminação ambiental, incluindo PFAS, associadas ao local, o que poderia afetar a saúde de crianças e famílias. A carta reforça que a Agência de Proteção à Criança e à Família (ACF) precisa avaliar se o projeto atende aos padrões de bem-estar infantil ao lidar com refugiados.
A ACF respondeu, destacando que analisa pedidos legislativos de forma cuidadosa e encaminha as informações ao solicitante conforme apropriado. Documentos obtidos pelo Guardian mostram plantações de estruturas modulares ao lado dos barracões convertidos, com o recinto cercado por uma grande cerca.
Reação local e mensagens oficiais
A prefeitura local, por meio do England Airpark, confirmou que ainda não houve assinatura de contrato. O papel da infraestrutura na agenda de deportação em massa permanece alvo de discussões, após reportagens anteriores sobre condições, devido processo e abusos em instalações da região.
Entidades de defesa dos direitos de migrantes contestam a natureza do projeto, descrevendo-o como centro de detenção disfarçado de serviço humanitário. As informações destacam tensões entre objetivos humanitários e políticas de imigração federal.
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