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Servidores do IBGE criticam Pochmann, que se diz progressista

ASSIBGE acusa Marcio Pochmann de postura autoritária; crise se agrava com suposta interferência no PIB e pedido de afastamento no TCU

Presidente do IBGE enfrenta desgaste crescente servidores. Sindicato relata postura autoritária em evento. (Foto: Amanda Ercilia/GOVBA)
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  • ASSIBGE divulgou um artigo sobre conduta do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, no aniversário de 90 anos da instituição, classificando-a como autoritária e em desacordo com uma postura progressista.
  • No evento, um diretor da ASSIBGE relatou que Pochmann reagiu de forma irritada ao tentar abrir canal de interlocução e chegou a chamar os sindicalistas de bolsonaristas.
  • A crise envolve ainda suspeita de interferência nos dados do Produto Interno Bruto; o Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas da União o afastamento de Pochmann para apurar motivação política na exoneração de Rebeca Palis.
  • O presidente criou o projeto Diálogos IBGE e a Fundação IBGE+, o que gerou resistência entre servidores e levou a um abaixo-assinado e a questionamentos legais por parte do Ministério Público.
  • Garantir que não haja contaminação ideológica foi defendido por uma servidora, enquanto o IBGE passou a ser alvo de debates sobre mapas com o Brasil invertido, controversos conforme o contexto político.

Em meio a uma crise interna no IBGE, o sindicato ASSIBGE divulgou um artigo nesta segunda-feira relatando uma conduta do presidente Marcio Pochmann no aniversário de 90 anos da instituição. A denúncia classifica o comportamento como autoritário e em contradição com a postura que o economista diz defender.

Segundo o documento, um diretor da ASSIBGE teria tentado abrir canal institucional de interlocução com o presidente, porém a tentativa não prosperou. O texto afirma que Pochmann reagiu de forma irritada e teria chamado os representantes sindicais de bolsonaristas.

A entidade sustenta que o episódio agrava a tensão ao vir de alguém que costuma usar vocabulário progressista, mas atua para deslegitimar a organização coletiva e silenciar quem discorda.

Crise envolve pedido de afastamento no TCU

O conflito ganhou contorno jurídico com a suspeita de interferência nos dados do PIB por parte do Ministério Público. O órgão solicitou ao Tribunal de Contas da União o afastamento de Pochmann para apurar se houve motivação política na exoneração da então coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis.

A defesa da produção de estatísticas oficiais afirma que as mudanças devem ocorrer sem interferência política e com respeito a padrões metodológicos internacionais, preservando equipes técnicas estáveis.

Iniciativas, críticas e repercussões

Pochmann assumiu o cargo na sede da ASSIBGE e prometeu diálogo, além de apresentações sobre demandas antigas, como a criação de um congresso interno. Contudo, o lançamento do projeto Diálogos IBGE e a criação da Fundação IBGE+ geraram descontentamento entre servidores.

A oposição interna, representada pelo sindicato, questiona a legalidade de iniciativas que buscam financiamento privado para pesquisas, lembrando que, para tais mudanças, haveria necessidade de base legal adequada.

Repercussão institucional e posicionamentos

O episódio registrado no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, é apontado pela ASSIBGE como sintoma de distanciamento entre a cúpula e os servidores. A entidade afirma que a divergência está sendo instrumentalizada para silenciar vozes críticas.

Uma servidora do sindicato afirma não haver risco de contaminação ideológica nas estatísticas, destacando a atuação para denunciar tentativas de interferência político-ideológica.

O IBGE tem recebido atenção pela publicação de mapas com orientações geográficas incomuns, que têm gerado debate entre especialistas. A presidência e a assessoria de comunicação do IBGE ainda não se pronunciaram oficialmente.

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