- A presidente do Kuomintang, Cheng Li-wun, visitou Xi Jinping em abril, sendo a primeira líder do partido a viajar a Pequim em uma década.
- Em Taipéi, ela defende um caminho de aproximação com Pequim para evitar um conflito no estreito, sem sacrificar a democracia taiwanesa.
- A aposta de Cheng envolve ampliar intercâmbios políticos, culturais, esportivos, religiosos, comerciais e acadêmicos para reduzir tensões.
- Xi teria reconhecido a diferença entre Taiwan e a China continental, sinalizando que o objetivo é um relacionamento pacífico entre as duas margens sem sacrificar liberdades taiwanesas.
- Cheng afirma que é possível construir uma plataforma de paz duradoura, admite riscos de conflito caso as tensões aumentem e planeja uma visita aos Estados Unidos em junho para reiterar a busca pela paz.
Cheng Li-wun, líder da oposição em Taiwan, defende ampliar o diálogo com a China para evitar conflito no estreito. Em entrevista publicada após reunião com Xi Jinping em abril, a presidente do Kuomintang (KMT) sinaliza abertura a aproximação sem abandonar a democracia taiuanesa.
A entrevista, realizada em Taipéi na semana passada, ocorreu em um contexto de tensões aumentadas desde 2016, quando os canais oficiais entre Pekín e Taipéi ficaram interrompidos. Cheng é a primeira líder em exercício do KMT a visitar a China desde uma década, buscando uma estratégia de cooperação que não comprometa liberdades locais.
Segundo a dirigente, a relação pacífica entre as duas margens seria viável por meio de intercâmbios culturais, esportivos, comerciais e acadêmicos. Ela defende uma plataforma de paz estável, com garantias para evitar renúncias do modelo de governo de Taiwan.
Contexto político e geopolítico
Em Taiwan, o atual governo é liderado pelo Partido Progressista Democrático (PPD), cuja postura é vista com ceticismo por Pequim. A China considera Taiwan uma província rebelde e realiza exercícios militares na região. A aproximação com o KMT é vista por Pequim como oportunidade de reduzir hostilidades, enquanto em Taipei há receio sobre impactos às liberdades.
Cheng afirma que o encontro com Xi não implica renúncia à soberania nem às liberdades taiuanesas. A estratégia prega passos graduais para aproximação, mantendo democracias, Estado de direito e liberdades intactas. A dirigente reforça que o objetivo é evitar sacrifícios de interesse nacional e manter canais de diálogo abertos.
Na resposta sobre garantias, Cheng diz que Xi reconheceu a singularidade de Taiwan e pediu respeito mútuo. A ideia é criar relações duráveis sem perder a autonomia da ilha. A empreitada envolve ainda consultas com outras frentes para assegurar a normalidade de intercâmbios.
Movimento regional e futuro
A ordem internacional recente associou a visita de Cheng ao começo de uma janela de diálogo com a China. Em paralelo, o presidente dos EUA, Donald Trump, esteve em Pequim, com impactos ainda em análise sobre a relação sino-americana. Pequim aponta que Taiwan não deverá ser tratada como Hong Kong, segundo a líder do KMT.
Cheng planeja, ainda neste ano, uma rodada de contatos nos Estados Unidos para transmitir que a via pacífica é viável e atende aos interesses nacionais de Washington. A agenda contempla manter a estabilidade regional frente a possíveis divergências entre as grandes potências.
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