- A Operação Wi‑Fi, da Polícia Civil de São Paulo, investiga possível desvio de recursos da prefeitura destinados a internet nas periferias para financiar o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro.
- O foco é um contrato de R$ 108 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da Go UP Entertainment, produtora do longa.
- A PF já investigava uso de R$ 61 milhões, enviados por Daniel Vorcaro, a pedido de Flávio Bolsonaro, para financiar o filme e para pressionar o governo dos EUA a adotar sanções contra o Brasil, em defesa de Eduardo Bolsonaro.
- O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas ao ICB; o STF investiga irregularidades relacionadas a essas emendas.
- A prefeitura afirmou repúdio às alegações e disse que o contrato seguiu a legalidade, mas não respondeu aos pedidos de documentos; a apuração envolve transparência sobre o uso de recursos públicos.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou hoje a Operação Wi-Fi, uma investigação sobre o uso de recursos de uma linha de ação da Prefeitura da capital. O foco é a contratação de serviços de internet para áreas periféricas e possíveis desvios para financiar atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, associadas à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
A apuração envolve o contrato de R$ 108 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da Go UP Entertainment, produtora do filme em questão. A Polícia Civil apura suposto desvio de verba destinada a internet pública.
Operação e possível desvio
A investigação aponta consistentes suspeitas de confusão patrimonial entre o ICB e a produtora envolvida no longa. O delegado solicita ao Coaf análise de movimentações para verificar desvio de recursos da prefeitura.
Segundo apuração, o ICB foi contratado para instalar internet gratuita, mas subcontratou diversas empresas. Há indícios de que parte dos pagamentos não correspondeu à prestação de serviço.
Contrapontos e histórico financeiro
Ainda na investigação federal, há suspeitas de que parte dos R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões solicitados por Flávio Bolsonaro teriam sido usados para custear atividades de Eduardo Bolsonaro nos EUA, em 2025.
O ex-deputado é réu no STF por coação para buscar sanções internacionais contra o Brasil, na tentativa de beneficiar o pai em julgamento. A instituição investiga se houve uso de recursos públicos para essa finalidade.
Envolvimento de emendas e orçamento
O roteiro do filme é assinado pelo deputado Mário Frias (PL-SP), com R$ 2 milhões em emendas ao ICB. A atuação de Frias é alvo de apuração do STF, em ação sobre irregularidades em emendas parlamentares.
Portanto, são apontadas três potenciais fontes de dinheiro: o contrato de Wi‑Fi, as emendas de Frias e os recursos ligados ao pedido de Flávio Bolsonaro, já sob investigação.
Posição da prefeitura
A prefeitura informou que repudia as alegações e que o contrato seguiu os princípios da legalidade. No entanto, a gestão de Ricardo Nunes foi notificada em março para apresentar documentos e não respondeu no prazo.
A reportagem encaminhou perguntas oficiais ao município, que não confirmou nem refutou as informações da investigação. O caso permanece sob apuração das autoridades competentes.
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