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Home Office envia cartas a crianças de cinco anos para deixarem o Reino Unido

Filhos de cuidadores com visto válido recebem cartas do Home Office ordenando retorno ao Reino Unido, mesmo com famílias legalmente estabelecidas

Rasika Samarasinghe, a care worker who arrived in 2022, with his wife and children – who have now been told they must leave.
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  • Oitocentos? não — crianças de cinco anos ou mais, morando legalmente no Reino Unido, receberam cartas do Home Office dizendo que devem deixar o país, mesmo com os pais autorizados a permanecer.
  • A Guardian teve acesso a cinco cartas dirigidas a crianças e a uma sexta carta a uma mulher grávida de seis meses, morando com o marido no país.
  • As crianças são dependentes de profissionais de cuidado com visto de trabalhador de assistência; até março de 2024 esses vistos permitiam trazer familiares ao Reino Unido.
  • Mudanças desde março de 2024 restringiram a entrada de familiares de cuidadores, com proibição de recrutamento externo a partir de julho de 2025; os casos atuais ocorreram antes dessas regras.
  • Organizações e advogados afirmam que há risco de desassosso para o sistema de cuidados caso políticas de residência se tornem mais rígidas, potencialmente levando trabalhadores a deixarem o país para não separarem de familiares.

O Home Office enviou cartas a crianças que vivem no Reino Unido, pedindo que deixem o país. Os destinatários são filhos de trabalhadores com vistos de cuidador, que chegaram legalmente antes de mudanças na regra. As cartas dizem que devem partir, mesmo com autorização de residência aos pais.

A reportagem verificou cinco cartas direcionadas a crianças de até cinco a oito anos. Uma sexta carta foi enviada a uma mulher grávida de seis meses, informando que deve deixar o marido e retornar ao país de origem. As famílias pagaram taxas e pagam impostos no Reino Unido, sem receber benefícios.

Varuni Arachchige, cuidadora de Perth, na Escócia, recebeu a notícia com surpresa. O casal tem dois filhos, com 8 e 5 anos, já integrados à escola e à comunidade local. Arachchige afirma ter chegado ao país em 2022 e ter visto o visto estendido até 2031, enquanto dependentes do visto da esposa.

Contexto regulatório

A política de vistos para cuidadores mudou em março de 2024, proibindo que cuidadores tragam dependentes. A proibição de recrutamento externo de cuidadores foi anunciada para entrar em vigor a partir de julho de 2025. Crianças afetadas haviam chegado ao Reino Unido antes dessas mudanças.

Especialistas apontam cenário inseguro para famílias. Rasika Samarasinghe, que também chegou em 2022, relatou ter visto dependentes recusados de permanecer. A esposa, que trabalha como auxiliar de ensino, e os três filhos, de 12, 9 e 8 anos, precisam decidir entre continuar no país ou retornar.

Reação de profissionais e ONG

Advogados afirmam que há aumento desses casos nos últimos dias. Pesquisas com trabalhadores migrantes apontam que mudanças propostas para estender o prazo de residência, de cinco para 15 anos, poderiam provocar saída em massa. Organizações como Migrants’ Rights Network defendem tratamento mais humano aos trabalhadores de cuidadoria.

Outra leitora ouvida pela reportagem mencionou a necessidade de manter famílias unidas, destacando que muitos cuidadores atuam sem benefícios e com alta carga de trabalho. Há apelo para políticas que equilibrem contribuição ao sistema de saúde e proteção à família.

Posicionamento oficial

Um porta-voz do Home Office afirmou que o país receberá quem contribui para a nação, mas que é preciso restaurar a ordem nas fronteiras. O governo sustenta que as reformas legais de migração são necessárias diante do aumento de fluxos migratórios. O objetivo é qualificar quem respeita as regras.

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