- A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aprovou relatório que conclui que Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976, e não vítima de acidente na Via Dutra.
- O documento aponta fraudes na investigação, manipulação de provas e testemunhas, além de atuação de militares no local para encobrir um atentado político.
- A relatora, Maria Cecília Adão, sustenta que uma reunião com emisários do então presidente Geisel teria motivado JK a viajar de carro, e não de avião; o motorista teria percebido algo estranho.
- O relatório cita 37 irregularidades, como a chegada de militares ao local cerca de 20 minutos após o acidente e a adulteração de provas, com testemunhas sobre colisão sendo desconsideradas.
- Também aponta inconsistências na cadeia de custódia, horário da morte alterado, ausência de exame toxicológico e aponta que houve tentativa de retificação da certidão de óbito.
A comissão especial sobre mortos e desaparecidos políticos aprovou um relatório que aponta que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar, em 1976, e não vítima de um acidente na Via Dutra. O documento contesta a versão oficial e aponta indícios de atentado político.
A peça afirma que a investigação original teve fraudes, manipulação de provas e testemunhos, além de atuação de militares no local do acidente para alterar o curso dos fatos. A aprovação ocorreu por seis votos favoráveis e uma abstenção, em São Paulo.
Segundo a relatora, Maria Cecília Adão, houve encontro com emissários do então presidente Geisel como motivação para que JK fizesse a viagem de carro, não de avião. Ela aponta que o motorista percebeu algo estranho antes da partida e que isso pode ter influenciado a viagem.
Desvios identificados e evidências
O relatório sustenta que peritos do IML do Rio de Janeiro teriam participado de fraudes em outras mortes durante a ditadura. Entre as anomalias, a chegada de militares ao local cerca de 20 minutos após o acidente e o consequente controle da área teriam facilitado a adulteração de provas.
Testemunhas que afirmaram não ter ocorrido colisão teriam sido desconsideradas, segundo o documento. Fotografias mostram a lanterna traseira do carro sem danos, enquanto o veículo apresentava avarias no pátio, sugerindo inconsistências com o acidente descrito.
A comissão também aponta que a pista não foi isolada, que veículos foram removidos sem preservar posições originais e que houve problemas na cadeia de custódia do corpo de JK e de seu motorista. Não há registro claro de quem realizou o transporte.
Outros pontos do relatório
O horário da morte é questionado: laudos indicam 20h50, cerca de três horas após o suposto acidente, gerando dúvidas sobre a cronologia oficial. Não houve exame toxicológico para verificar envenenamento, segundo o relatório.
Entre as evidências citadas, o documento menciona uma notícia publicada dias antes sugerindo risco de morte em acidente na mesma rodovia. A comissão também afirma que o diário de JK foi retirado do carro após o acidente, com alegações de cópia médica e pressão à família.
Conforme o relatório, a comissão pretende solicitar a retificação da certidão de óbito, conforme resolução do CNJ, para reconhecer a hipótese de morte relacionada aos atos da ditadura. A investigação continuará com esse objetivo.
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