- La Paz permanece isolada por via terrestre há quatro semanas, com bloqueios generalizados e escassez de alimentos e combustíveis, em meio a protestos de diferentes setores do país.
- A maioria exige a renúncia do presidente Rodrigo Paz, em meio à crise econômica, alta inflação de combustíveis e queda na qualidade de vida.
- O gatilho foi a Lei 1720, que previa modificar a reforma agrária de 1952; a norma foi revogada antes de entrar em vigor, mas o descontentamento persistiu.
- O governo, considerado neoliberal por muitos, implementou cortes de gastos e redução de subsídios, gerando forte insatisfação entre trabalhadores, camponeses e movimentos indígenas.
- O cenário internacional envolve alinhamentos e pressões: Paz busca proximidade com os Estados Unidos; campanhas regionais e disputas políticas geram tensões diplomáticas na região.
O país está diante de uma crise política e social sem precedentes na Bolívia. Em La Paz, a capital, as vias terrestres permanecem bloqueadas há um mês, e a repressão oficial não conseguiu dispersar as multidões de diversas regiões. O abastecimento de alimentos e combustíveis está comprometido, agravando a inflação e o custo de vida. A indignação cresce após a aprovação de uma lei que, segundo críticos, limitaria a reforma agrária herdada da Revolução de 1952.
Protestos reuniram trabalhadores, autônomos, professores, mineiros, pequenos agricultores e povos indígenas, especialmente quéchuas e aimarás. A mobilização é liderada por entidades locais e pela Central Operária Boliviana, que já protagonizaram greves e marchas por semanas consecutivas.
A faísca foi a Lei 1720, aprovada pelo governo mas revogada antes de entrar em vigor. O texto, segundo críticos, afastaria a população da democratização fundiária ao mudar a classificação de propriedades tituladas. A defesa argumenta que a norma buscava ampliar crédito para camponeses, mas a oposição vê risco de perda de direitos.
Contexto histórico e político
No pleito de 2025, o MAS sofreu forte esvaziamento institucional. Economias menores do país, somadas a uma crise econômica global, contribuíram para a erosão da base histórica do movimento. A oposição parlamentar domina a Câmara e o Senado, enquanto o MAS tem presença reduzida.
Rodrigo Paz, eleito em 2023 com apoio de setores populares, adotou medidas rápidas e controversas após a posse. O governo cortou subsídios aos combustíveis, reduziu gastos e propôs ajustes de salários, articulando um conjunto de políticas que gerou protestos e pedidos de renúncia.
Após o choque inicial, Paz manteve uma linha de cooptação com Estados estrangeiros. Em março, ele participou de iniciativas de alinhamento com o Escudo das Américas, o que gerou críticas entre setores da esquerda e de aliados históricos do MAS. O governo também recebeu apoio internacional para assistência humanitária, sem aprovação de medidas estruturais.
Desdobramentos e cenário atual
A conjuntura envolve tensão entre o governo e movimentos sociais, sem uma liderança única capaz de consolidar uma alternativa à esquerda. A expulsão de diplomatas estrangeiros acirrou a disputa regional, com reações de apoio e repúdio entre governos vizinhos. A economia enfrenta inflação e dificuldades de abastecimento.
O futuro político da Bolívia permanece incerto. Apesar da queda de popularidade de Paz, não há consenso sobre uma nova liderança de esquerda com legitimidade para conduzir mudança. Enquanto isso, a população aguarda respostas concretas que atendam às demandas por estabilidade econômica e participação social.
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