- A Polícia Federal realizou a segunda busca em onze dias contra o ex-governador Cláudio Castro, em investigações distintas.
- A Operação Compliance Zero investiga suposta fraude de R$ 3 bilhões no Rioprevidência, com aportes do Fundo Único de Previdência Social em títulos do Banco Master e possível vínculo estreito entre Castro e o então dono do banco.
- A PF aponta que encontros frequentes entre Castro e o controlador do Master, inclusive em ambientes privados e no exterior, teriam coincidido com os aportes bilionários ao Rioprevidência.
- Mudanças na diretoria do Rioprevidência, segundo a PF, teriam precedido repasses ao Master, com etapas técnicas supostamente suprimidas durante o processo.
- Em outra frente, a Operação Sem Refino apura suspeitas ligadas ao empresário Ricardo Magro e ao grupo Refit; Castro teve celular apreendido e defesa sustenta que atos foram técnicos e legais.
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) é alvo de novas buscas da Polícia Federal, a segunda em 11 dias, em investigações distintas que acompanham seu mandato. As ações fazem parte de dois desdobramentos diferentes sob suspeita de irregularidades.
Na primeira linha de apuração, a PF investiga a operação denominada Compliance Zero, que apura possível fraude de cerca de R$ 3 bilhões no Rioprevidência. O foco é a aplicação de recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio em títulos do Banco Master durante a gestão de Castro.
Segundo documentos da PF, há apontado “vínculo estreito” entre Castro e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. A investigação sustenta que contatos pessoais e políticos resultaram em investimentos bilionários em Letras Financeiras e fundos ligados ao banco, em desconformidade com a política de investimentos do RPPS e regras regulatórias. A PF destaca encontros entre as partes como parte do conjunto de evidências.
A atuação do ex-governador também é relacionada a mudanças na diretoria do Rioprevidência durante o seu mandato, com alegação de que etapas técnicas teriam sido suprimidas antes de repasses ao Master, o que é citado como indício na investigação.
A segunda frente, denominada Sem Refino, mira suspeitas ligadas ao empresário Ricardo Magro e ao grupo Refit. Nesta linha, a PF cumpriu buscas contra Castro; celulares do ex-governador foram apreendidos. A polícia aponta que Castro teria contribuído para criar um ambiente favorável para a atuação de Magro, envolvendo atos de leniência.
Durante a gestão de Castro, o governo do Rio também acionou a Justiça para reabrir a operação da Refit, que investigava fraudes na refinaria. A defesa de Castro afirma que os atos foram técnicos e legais, ressaltando que a gestão dele foi a única capaz de fazer com que o grupo pagasse dívidas com o estado.
Outras frentes citadas pela PF já apontam ligações de Castro a temas de segurança pública e judiciário. Um despacho relacionado ao Comando Vermelho passou a ser considerado a primeira participação indireta dele no caso. Em setembro, um ato assinado por Castro está relacionado à prisão de TH Joias; o ex-deputado estadual foi detido pela PF por vínculos com o grupo criminoso.
A investigação também aponta manobras envolvendo exonerações na Alerj para favorecer a substituição de TH Joias por Rafael Picciani, segundo apuração da PF. A intenção, segundo a polícia, seria evitar votação sobre a prisão de Joias, o que pondia em risco a plantilha de direitos políticos.
Caso envolvendo inelegibilidade já tem desfecho: em março, o TSE declarou Castro inelegível por oito anos, devido a abuso de poder nas eleições de 2022. O ex-governador afirmou que recorrerá da decisão, enquanto aliados discutem possibilidades de liminar para concorrer ao Senado em outubro.
Além disso, em 2024, apuração de suspeita de corrupção foi arquivada. A PF indicou Castro por desvios de recursos entre 2017 e 2020, mas o ministro André Mendonça pediu o encerramento, seguido pela conclusão da 2ª Turma do STF em apoio ao encerramento, por considerar irregularidades no inquérito e nos acordos de delação. A defesa afirma que as informações da investigação eram infundadas.
A PF continua monitorando os dois ramos de investigação, com novas diligências previstas. Fontes oficiais não indicaram data de conclusão, mantendo o andamento dos procedimentos sob sigilo.
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