- A Polícia Federal realizou a segunda operação em menos de duas semanas contra o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), indicando um padrão de aproximação entre empresários e o núcleo político para decisões administrativas que beneficiassem interesses privados.
- Os alvos incluem o conglomerado de combustíveis Refit e a relação com aportes bilionários da Rioprevidência no Banco Master, com encontros reservados e articulação política interna para atender demandas empresariais.
- A PF afirma que Castro usou a estrutura do governo, incluindo a Secretaria de Estado da Fazenda, para destravar medidas estratégicas para o grupo Refit, associando decisões do governo a interesses do empresário Ricardo Magro.
- Na fase envolvendo Rioprevidência, apura-se que, após articulações políticas e reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro e operadores do Banco Master, houve aplicação de pelo menos 3,6 bilhões de reais da previdência estadual em papéis da instituição privada.
- Intermediários teriam aproximado empresários do governo, incluindo o delator da Lava Jato Ricardo Siqueira Rodrigues, em troca de comissionamento de 0,6 por cento sobre os recursos aplicados pela Rioprevidência no Banco Master (equivalente a cerca de 22 milhões de reais).
A Polícia Federal realizou a segunda operação em menos de duas semanas contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A ação reforça a tese de investigadores sobre um padrão de aproximação entre empresários e o núcleo político do governo, com decisões administrativas alinhadas a interesses privados. O foco é o que houve, quem está envolvido, quando e por quê.
Segundo as investigações, empresários do setor de combustíveis e operadores do mercado financeiro teriam encontrado espaço no Palácio Guanabara para influenciar políticas e destravar medidas consideradas favoráveis a esses grupos. Encontros reservados, articulação política e movimentações em órgãos estaduais são apontados como elementos do suposto modus operandi.
Na fase em que Castro foi alvo de mandados, o Ministério Público sustenta que o ex-governador atuou para favorecer o conglomerado Refit, apontado pela Receita Federal como a maior devedora tributária do país, com dívida estimada em cerca de 52 bilhões de reais. Aponte-se que decisões da Fazenda teriam sido utilizadas para beneficiar esse grupo.
Detalhes da nova fase
A nova etapa da operação foca na relação entre Castro, o banco Master e a Rioprevidência. A investigação afirma que, após articuladores políticos e reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro, houve a aplicação de aproximadamente 3,6 bilhões de reais da Rioprevidência em ações da instituição privada. O credenciamento do Banco Master teria ocorrido rapidamente após mudanças internas na Rioprevidência.
Segundo o documento, Castro, então governador, manteria vínculos próximos com Vorcaro e desempenharia papel relevante para viabilizar os aportes do Rioprevidência no Master. Também há menção a intermediários que teriam aproximado empresários do governo, com possível remuneração parcial pela operação.
A PF investiga crimes de corrupção passiva, gestão fraudulenta, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. Castro nega irregularidades e afirma que não participou de decisões técnicas da Rioprevidência.
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