- A Polícia Federal indica que Ricardo Siqueira Rodrigues, delator da Lava Jato, atuou como intermediador entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo da oitava fase da operação Compliance Zero.
- A investigação aponta que a aproximação entre Castro e Vorcaro facilitou aplicações de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência (regime próprio de previdência dos servidores do estado) em fundos ligados ao Banco Master desde o fim de 2023.
- O ministro Alexandre Mendonça, do STF, descreveu Rodrigues como articulador e lobista ativo na identificação de oportunidades de negócios e na aproximação entre Vorcaro e autoridades com poder de decisão sobre previdência.
- A PF aponta que Rodrigues recebia comissão de 0,6% sobre os valores angariados e que Castro alterou a direção da Rioprevidência após reuniões com Vorcaro, destituindo diretores contrários às aplicações.
- A operação também investiga a Mídias Promotora Ltda., empresa associada a Rodrigues e usada para receber e distribuir comissões, segundo a PF, funcionando como canal para fluxo de recursos e possível lavagem de ativos.
A Polícia Federal aponta que o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator da Lava Jato, atuou como intermediário entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Rodrigues foi alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta terça-feira, com mandados de busca e apreensão até na residência de Castro.
A investigação sustenta que a aproximação entre Castro e Vorcaro teria aberto espaço para a aplicação de R$ 3,6 bilhões em fundos e papéis ligados ao Banco Master, administrados pela Rioprevidência, regime próprio de previdência dos servidores do estado, desde o fim de 2023.
A PF descreve Rodrigues como articulador e lobista, com papel ativo na captação de negócios entre autoridades com poder sobre regimes próprios de previdência e o empresário Vorcaro. A decisão que autorizou a operação foi proferida pelo ministro André Mendonça, do STF, conforme a Gazeta do Povo teve acesso.
Intermediação e actuación financeira
Segundo a investigação, Rodrigues seria responsável pela captação de recursos do Rioprevidência junto ao Banco Master, recebendo uma comissão de 0,6% sobre os valores angariados. A apuração aponta que Castro promoveu alterações na direção da Rioprevidência logo após encontros com Vorcaro, destituindo diretores contrários à aplicação.
Mensagens analisadas pela PF indicam que Rodrigues elogiou Vorcaro pelo alcance da meta de captação em 45 dias, sugerindo um pipeline robusto para o primeiro semestre com projeção de mais de um bilhão. A PF pediu também o rastreio de recursos pela Mídias Promotora Ltda, ligada a Rodrigues, que serviria como veículo para distribuir comissões.
Papéis da Mídias Promotora e avaliação técnica
A Polícia Federal argumenta que a Mídias Promotora atuaria como ponte operacional, facilitando a circulação de recursos com aparência de regularidade contratual. A empresa seria usada para lavar ativos e repassar valores aos envolvidos, segundo a autoridade. A avaliação técnica apontou risco elevado nos papéis oferecidos pelo Banco Master.
Entre na conversa da comunidade