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Julio Martínez aponta influência na Venezuela para libertação de presos

Agendas de Julio Martínez apontam influência no governo venezuelano, com possível intervenção do CNI para repatriar Edmundo González e libertar presos

Página del informe de la UDEF con una de las páginas de la agenda de Julio Martínez incautada al empresario.
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  • A polícia encontrou cadernos de Julio Martínez com anotações que sugerem papel relevante dele em decisões da política venezuelana, até então atribuídas a relações institucionais.
  • A agenda denominada Plus Ultra menciona possível intervenção para a liberação de presos na Venezuela e a participação de agentes do Centro Nacional de Inteligência espanhol na repatriação de Edmundo González.
  • Houve um segundo grupo de notas com “temas de interés” que apontam para um possível plano de negócio ligado ao petróleo e a notas sobre a compra de ouro, com menção ao Bandes.
  • Os documentos também citam altos cargos do estado venezuelano e empresas estatais ligadas a mineração, gás, petróleo, carvão e níquel, sugerindo alcance além de atividades mercantis.
  • Há referências a Edmundo González e a possível envolvimento do CNI, além de menções a presos venezuelanos e a uma possível relação com Huawei em licitação para renovar a rede ferroviária.

A Polícia entregou à UDEF um conjunto de agendas manuscritas atribuídas ao empresário Julio Martínez Martínez, amigo do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero. O material aponta para uma possível atuação em Venezuela, envolvendo a liberação de presos ou a participação de agentes do CNI na repatriação de Edmundo González. As peças foram encontradas durante o cumprimento de mandados no domicílio do empresário.

Segundo a UDEF, as anotações contêm “acuerdos, decisões, compromisos, responsabilidades, prazos e acontecimentos do mais alto nível”. Entre os cadernos aparece uma agenda preta com a marca Plus Ultra, Linhas Aéreas. Os agentes indicam que há referências a decisões públicas relevantes, fora do foro estritamente empresarial.

Além disso, há um conjunto de documentos com rubricas como TEMAS DE INTERÉS, que parecem mapear um possível plano de negócios ligado ao petróleo, bem como anotações sobre compra e venda de ouro e a menção a um banco estatal venezuelano, o Bandes.

Conteúdo das agendas

Os papéis mencionam altos cargos venezuelanos, como ministros da área econômica e de mineração, além de relações com estatais como PDVSA, CVM e CVG. A polícia aponta que os conteúdos extrapolam o âmbito empresarial e tocam temas de Estado de alto nível, não usuais para atividades mercantis.

Outras passagens descrevem interesses em recursos naturais como carvão, gás, petróleo, ouro e níquel. A conclusão dos investigadores é de que o material sugere atuação direta em temas de Estado, com funções de assistência em reuniões de alto nível.

Potenciais objetivos e referências

Entre os trechos, há menções a uma possível reforma constitucional na Venezuela, com mandato presidencial de quatro anos, a criação de um primeiro ministro e de um Conselho de Estado. O texto cita a convocação de eleições e a indicação de um independente no governo, sem assessores internos, apenas consultas.

A lista identifica também nomes de presos venezuelanos e figuras da oposição, com referências a propostas de ação para “rehabilitar” determinados políticos e ativistas. Entre os nomes aparecem figuras ligadas a direitos humanos, à imprensa e ao governo anterior.

Indícios sobre Edmundo González e CNI

O material traz indícios de uma referência a Edmundo González, com a expressão “incluir os 2 do CNI”, associando a eventual intermediação de agentes do Centro Nacional de Inteligência espanhol. Ainda há menções à embaixada argentina e a situações envolvendo prisões no exterior.

Paralelamente, surge uma linha que liga as anotações a atividades econômicas, com menções a Huawei e a licitações para renovar equipamentos de redes da ferrovia venezuelana, sugerindo um possível cruzamento entre interesses empresariais e estratégicos.

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