- A Câmara discute o fim da escala 6×1 na comissão especial; se o texto avançar, seguirá para o plenário, depois ao Senado.
- O relator da proposta no colegiado apresentou parecer favorável ao fim da escala 6×1 nesta segunda-feira.
- Parlamentares apontam que a mudança pode elevar custos de produção, pressionar preços e tornar mais difícil a contratação.
- O governo defende a proposta como avanço na qualidade de vida; a oposição ressalta incertezas para empresas e impacto local.
- A bancada aposta em emendas e voto ainda neste semestre; para seguir ao Senado, é necessário aprovar em dois turnos com ao menos 308 deputados.
O debate sobre o fim da escala 6×1 avança na Câmara dos Deputados, com o governo defendendo o aperfeiçoamento da legislação trabalhista e a oposição alertando para impactos de custo e de segurança jurídica para empresas. A discussão ocorre em Brasília, durante a comissão especial que analisa a proposta. O tema é tratado como prioridade no momento, com o texto ainda em análise para depois seguir ao plenário.
Integrantes da comissão indicam que a discussão tem sido influenciada pelo calendário eleitoral de 2026, o que, segundo eles, acelera a tramitação sem apontar claramente as consequências para diferentes regiões. Parlamentares do Novo, entre eles o líder Gilson Marques, criticam o andamento e defendem maior liberdade de negociação entre empregado e empregador, sinalizando a ideia de apresentar emendas ao texto.
O relator da proposta no colegiado, Leo Prates, apresentou parecer favorável ao fim da escala 6×1 nesta segunda-feira. Caso o relatório seja aprovado, a matéria deverá seguir para o plenário da Câmara, onde precisará do apoio de ao menos 308 deputados em dois turnos para então seguir ao Senado.
Ponto de vista dos envolvidos
Gilson Marques afirma que a discussão, em meio a duas PECs, tem se concentrado em medidas que não correspondem à realidade de várias regiões. Em entrevista, o deputado afirmou que, se a obrigatoriedade de contratação aumentar, pode haver menos vagas disponíveis, principalmente em estados com maior desemprego. A proposta também é vista como medida que restringiria a liberdade de trabalho, segundo Marques, sob o rótulo de modernização.
De acordo com a leitura de Marques, o custo adicional para o empregador não seria absorvido, sendo repassado aos preços de bens e serviços. Assim, trabalhadores acabariam pagando parte do impacto por meio de itens como alimentos e remédios, segundo a avaliação do deputado.
Ele afirma que o processo está contaminado pela atmosfera eleitoral e lembra que muitos parlamentares buscam a reeleição, vendo na pauta um tema popular. Marques sustenta que distintas regiões do país apresentam realidades diferentes, o que exige flexibilidade na jornada de trabalho.
Em relação a caminhos alternativos, Marques defende maior liberdade de escolha para jornadas de trabalho, com pagamento proporcional às horas efetivas. O parlamentar sinaliza a possibilidade de apresentar emendas, além de votar de forma divergente em separado. A expectativa é de que a votação ocorra ainda neste semestre, antes do início da campanha oficial.
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