- Chipre realiza eleições parlamentares marcadas pela fragmentação do hemiciclo e pelo surgimento de novos partidos, com as duas grandes formações de sempre, DISY e AKEL, sob pressão.
- O ultra-direitista Frente Nacional Popular (ELAM) cresce nas pesquisas, herdando vínculos com o antigo grupo neonazista Aurora Dourada da Grécia, apesar de sua ilegalização.
- A votação ocorre em meio a escândalos de corrupção que afetaram o cenário político há anos, com novos partidos ganhando espaço desde as últimas consultas.
- A participação até a metade do dia atingiu 32,3%, cerca de seis pontos acima do registrado no mesmo horário em 2021, segundo a Comissão Eleitoral.
- O parlamento é composto por setenta e seis membros elegíveis (na prática, 56 deputados são eleitos para a Câmara de Representantes, já que turcochipriotas não participam desde 1964), e o resultado poderá influenciar a capacidade de o presidente Nikos Christodoulides formar maioria no legislativo.
Chipre realiza neste domingo eleições parlamentares marcadas por escândalos de corrupção e pelo crescimento de novas siglas, em meio a uma possível fragmentação do hemiciclo. O pleito ocorre no contexto de desconfiança sobre as elites políticas que dominaram o cenário nas últimas décadas.
Mais de meio milhão de grecochipriotas estão aptos a eleger 56 deputados, num parlamento de 80 cadeiras. Turcochipriotas não participam desde 1964, quando se intensificaram conflitos que levaram à invasão e à separação de fato da região norte.
A participação, até o meio da votação, ficou em 32,3%, segundo a Comissão Eleitoral citada pela agência Efe, superando em mais de seis pontos a marca de 2021. O pleito recebe quase 20 legendas, muitas delas novas.
O resultados apontam paraerosão das tradicionais formações de DISY, liberal-conservadora, e AKEL, de orientação comunista, que juntos vinham dominando a política local. Presidente em exercício, Nikos Christodoulides, destacou que o processo eleitoral será respeitado e que o governo buscará apoio no novo Parlamento.
Substituição de tema: cenários e novas forças
O foco passa a sair das datas e entra no mapa de partidas emergentes. Frente Nacional Popular ELAM, linha ultradireita ligada a movimentos neonazistas na Grécia, é apontada por pesquisas como possível crescimento de assentos, apesar de ter sido proibida na Grécia. ELAM tem histórico de confrontos com migrantes e turcochipriotas, opondo-se a negociações de reunificação.
Além de ELAM, despontam Democracia Directa, criado por um youtuber que teve sucesso nas europeias de 2024, e Volt, com a candidatura de Makarios Drousiotis, conhecido por denúncias de corrupção envolvendo elites cipriotas. Odysseas Michaelides também concorre, após ter ocupado cargo de auditor-geral.
Desdobramentos locais
A expectativa é de que o crescimento de partidos de centro e nacionalistas complemente o leque, dificultando a vida do atual governo. O presidente Christodoulides disse que qualquer resultado será respeitado pelo Executivo e que o governo trabalhará com o novo Parlamento, independentemente da coalizão.
A dinâmica parlamentar não altera, porém, a estrutura do poder em Nicósia, já que o sistema é presidencialista. Mesmo com mudanças, Christodoulides manterá mandato até 2028, com a coalizão a ser definida conforme as negociações entre DISY e outras forças.
Considerações sobre o entorno regional
O pleito ocorre num momento de maior atenção internacional sobre o Leste Europeu e o Mediterrâneo, com o país vigilante diante de tensões na região. As sondagens indicam que votos podem se deslocar para forças mais novas, diante de casos de corrupção e da demanda por uma renovação do discurso político.
As informações nesta matéria são de apurações contínuas sobre o processo eleitoral em Chipre, com base em dados oficiais e veículos internacionais de notícia.
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