- O governo britânico propôs criar um mercado único de bens com a União Europeia como base para reintegrar o comércio, apresentado em Bruxelas pelo principal responsável do governo para relações com a UE, Michael Ellam.
- Fontes dizem que a UE rejeitou a ideia, sugerindo opções como uma união aduaneira ou alinhamento econômico por meio do Espaço Econômico Europeu.
- O governo de Keir Starmer afirma que a ideia era uma das várias opções em estudo antes da cúpula prevista para 13 de julho, mantendo as suas linhas vermelhas de não reingressar na UE, no mercado único ou na união aduaneira.
- As negociações em aberto incluem um possível acordo sanitário veterinário, a ligação entre os esquemas de comércio de emissões e um programa de mobilidade jovem, com ambos buscando avançar na agenda antes da cúpula.
- Além disso, o governo busca acordos com a UE sobre aço e carros elétricos, e há interesse em cooperação de defesa, incluindo a participação britânica no empréstimo europeu de quarenta bilhões de euros para a Ucrânia, entre outros temas.
O Reino Unido apresentou, em Bruxelas, a ideia de criar um mercado único de bens com a União Europeia como base para reintegrar o comércio britânico na Europa. A proposta foi apresentada pelo principal responsável do governo britânico para questões da UE, Michael Ellam, em visitas recentes à capital belga.
Segundo fontes, a União Europeia rejeitou a ideia, sugerindo ao invés disso uma união aduaneira ou alinhamento econômico via Espaço Econômico Europeu (EEE). As opções divergem das linhas vermelha do governo de Keir Starmer, que não admite reentrar na UE, no mercado único ou na união aduaneira.
O governo britânico negou que a ideia tenha sido definitivamente rejeitada pela UE, dizendo que era apenas uma das opções em discussão antes de uma cúpula prevista para 13 de julho. Ainda não há agenda comum lançada por ambas as partes.
Avanços e limites nas negociações
As negociações visam avanços como um acordo veterinário para facilitar o comércio de alimentos e bebidas, ligação entre esquemas de comércio de emissões e um programa de mobilidade juvenil. Esses acordos foram promessa na última cúpula de 2025.
O Labour tem buscado aprofundar laços econômicos, mas encontra dificuldades semelhantes às enfrentadas durante as negociações do Brexit, em planos de um “manual comum” para bens sem permitir livre movimento de pessoas.
Perspectivas e receios da UE
Autoridades europeias temem que um acordo especial para o Reino Unido sirva de modelo a populistas anti-EU em outros Estados-membros. Em especial, há receio de estimular candidaturas euroscéticas na França em 2027.
Um diplomata da UE destacou que a resposta deve se basear nos interesses da própria União, evitando qualquer benefício desigual a um membro não equivalente. A cooperação financeira e industrial é destacada como prioridade futura.
O primeiro-ministro e o chanceler britânicos indicam interesse em alinhamento de bens. Em discurso recente, a ministra do Tesouro, Rachel Reeves, enfatizou a necessidade de maior integração para resiliência econômica.
Ponto de situação e próximos passos
Fontes do governo afirmam que a UE tem receio de abrir espaço para um modelo que dilua regras, mas mantém conversas sobre acesso ao mercado de alimentos e energia. O governo prepara um pacote de medidas com a UE para a cúpula de verão.
O governo britânico também busca cooperação mais estreita em defesa, incluindo a possibilidade de participação no empréstimo da UE de 90 bilhões de euros para a Ucrânia. A Comissão Europeia não comentou a proposta de mercado único de bens.
A comitiva britânica aponta que negociações incluem também um fundo de inovação para hi‑tech, além de iniciativas para reduzir migração irregular. A pauta está sujeita a evoluções conforme as conversas avançam.
Entre na conversa da comunidade