- O presidente russo, Vladimir Putin, propôs que o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder atuasse como mediador nas futuras negociações entre a Rússia e a União Europeia sobre a guerra na Ucrânia.
- A ideia foi rejeitada de forma contundente pela União Europeia e por Berlim.
- A alta representante da UE para Assuntos Exteriores, a estoniana Kaja Kallas, disse que não seria prudente ceder à Rússia o direito de nomear um negociador para a UE.
- O Governo alemão afirmou que a proposta faz parte de uma estratégia híbrida de Moscou e que Alemanha e Europa não se deixarão dividir.
- O Kremlin afirmou que caberia aos governos europeus dar o primeiro passo nas negociações, lembrando que, em 2022, eles romperam contato com Moscou após a invasão da Ucrânia.
A proposta do presidente russo, Vladímir Putin, de designar Gerhard Schröder como mediador em futuras conversações entre Rússia e União Europeia foi rejeitada por Berlim e Bruxelas. Putin sugeriu que o ex-chanceler alemão atue como representante europeu na mesa de negociações sobre a guerra na Ucrânia.
A ideia foi desmentida de forma firme pela alta representante da UE para Assuntos Exteriores, Kaja Kallas. Em Bruxelas, ela afirmou que não seria prudente permitir que a Rússia nomeasse um negociador para a UE, citando o histórico de Schröder ligado a interesses de empresas estatais russas.
O governo alemão também descartou a proposta. Fontes oficiais em Berlim classificaram a oferta como parte de uma estratégia híbrida de Moscou e garantiram que Alemanha e Europa não se deixarão dividir. A condição de credibilidade seria a prorrogação do cessar-fogo pela Rússia, segundo as mesmas fontes.
Kremlin já havia indicado que cabia aos governos europeus dar o primeiro passo, lembrando que, em 2022, após a invasão da Ucrânia, a comunicação com Moscou foi interrompida. A proposta de Schröder reforça a percepção de interferência externa nas negociações.
Schröder, hoje com 82 anos, é alvo de críticas na Alemanha por seu estreito vínculo com Putin e por atuação em empresas energéticas ligadas ao Kremlin. O ex-chanceler chefiou o governo alemão de 1998 a 2005, em coalizão entre SPD e Verdes, e mantém uma relação próxima com o líder russo desde então.
Além disso, Schröder já enfrentou questionamentos sobre seus laços com a Rússia após a invasão de 2022. Mesmo assim, ele continua defendendo seus posicionamentos favoráveis a interesses estatais russos, o que alimenta o ceticismo sobre seu papel como mediador.
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