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Novos fatos reabrem suspeitas sobre acidente que matou JK

Relatora aponta assassinato de Juscelino Kubitschek pela ditadura e pode reformar certidões de óbito de JK e Geraldo Ribeiro

'Estávamos empenhados na campanha de Juscelino Kubistchek, candidato a presidente novamente em 1965, o ano que não chegou'
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  • Novo relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirma que Juscelino Kubitschek (JK) foi assassinado pela ditadura militar.
  • Documento, elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, pode levar à reformulação das certidões de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro, motorista dele.
  • Relatório se apoia em perícias recentes e em contexto político da época, contrastando com teses anteriores de acidente aceitas pela Câmara dos Deputados, pela Comissão Nacional da Verdade e pela polícia em 1996.
  • Investigação aponta que o acidente pode ter sido causado por sabotagem mecânica ou mal súbito provocado por envenenamento, rejeitando a versão de colisão com o ônibus da Viação Cometa.
  • Comissão reaberta em 2024, ouviu familiares e considerou a possibilidade de o Estado emitir novas certidões de óbito caso a tese de assassinato seja acolhida.

A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) revisita o caso de Juscelino Kubitschek (JK) e aponta que o ex-presidente pode ter sido assassinado pela ditadura militar. O relatório, elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, será votado pelo colegiado e pode reformular as certidões de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro, seu amigo e motorista.

A nova análise se baseia em perícias recentes e em contexto político da época, segundo a Folha de S Paulo. A versão apresentada contrasta com decisões anteriores que consideravam a morte um acidente, acolhidas por uma comissão da Câmara em 2001 e pela Comissão Nacional da Verdade em 2014, além de uma reabertura policial em 1996.

A relatora afirmou que trabalha com pesquisadores para oferecer uma visão fundamentada, mantendo familiares informados durante a análise. O documento foi apresentado em 1º de abril, mas a votação foi adiada para discutir a quantidade de documentos disponíveis.

Apoio e mudanças de rumo

O caso envolve a morte de JK em agosto de 1976, no km 165 da Via Dutra, após o Opala dirigido por Geraldo Ribeiro perder o controle, invadir a contramão e colidir com uma carreta. A versão oficial da época atribuiu o descontrole a uma ultrapassagem que atingiu um ônibus.

O novo relatório retoma teses defendidas por pesquisadoras da USP e Mackenzie, em parceria com Comissões Estaduais da Verdade. Defendem que o descontrole pode ter sido causado por fatores externos, como sabotagem mecânica, ou por envenenamento do motorista.

Documentação do MPF

Ao incorporar análise do MPF (2013-2019, tornada pública em 2021), o relatório da CEMDP baseia-se em provas já disponíveis. O MPF aponta falhas técnicas nos laudos de 1976 do ICCE e sugere que certas avarias ocorreram após o guinchamento do veículo.

Entre os apontamentos estão a ausência de marcas de frenagem compatíveis com uma colisão, além de inconsistências sobre danos ao Opala. A reconstrução 3D do acidente indicou que não houve contato entre o ônibus e o carro, segundo o MPF.

A atuação das autoridades

Registros apontam demora no socorro e cujo destino dos envolvidos gerou controvérsia. O motorista do ônibus e testemunhas indicaram que militares teriam chegado ao local antes da Polícia Rodoviária, sugerindo interferência externa na cena.

O Opala de JK foi desmontado posteriormente, dificultando reconstituições. Investigadores destacam que, na época, não houve perícia para apurar alterações mecânicas no veículo e que houve falhas no relato de danos materiais.

Contexto histórico

Em 1976, JK integrava a Frente Ampla e atuava como líder da resistência à ditadura. Documentos da época e a passagem de órgãos de inteligência são citados para relacionar o caso a uma possível perseguição política. A decisão de arquivar eventual ação penal pelo MPF, em 2019, levou em conta a falta de provas suficientes para homicídio.

O que pode mudar

Caso o colegiado aprove o relatório, o Estado pode emitir novas certidões de óbito para JK e Geraldo Ribeiro reconhecendo-os como vítimas da ditadura. A análise aponta que, em casos de dúvida, a posição a ser seguida pode favorecer as vítimas.

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