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Lula e Trump discutem tarifas, química excelente e Ramagem

Nova reunião entre Lula e Trump na Casa Branca sinaliza tentativa de reaproximação, mesmo com tarifaço, sanções e divergências entre os dois governos

Lula e Trump — Foto: Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters
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  • Novo encontro entre Lula e Trump deve ocorrer na quinta-feira, 7, na Casa Branca, conforme apurado pela BBC News Brasil com fontes do governo brasileiro.
  • A relação entre os dois passou por tarifas: em abril de 2025 houve tarifa de 10% sobre produtos brasileiros; em julho de 2025 o pacote aumentou para 40% em diversos itens, sob justificativa de ameaça incomum.
  • Em setembro de 2025, Trump disse ter tido uma “química excelente” com Lula durante a Assembleia Geral da ONU, início de uma fase de aproximação que incluiu teleconferências e encontro na Malásia.
  • Divergências persistiram: Brasil condenou ataques ao Irã e criticou o Conselho da Paz; EUA abriu investigação sobre práticas comerciais brasileiras ligadas a trabalho forçado.
  • Caso Ramagem: ex-deputado brasileiro preso nos Estados Unidos, depois solto; houve controvérsia sobre cooperação entre PF e autoridades americanas e sobre a autorização de visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump devem se reunir novamente na quinta-feira, 7, na Casa Branca, em Washington. A reunião foi confirmada a partir de apuração da BBC News Brasil junto a fontes do governo brasileiro. O encontro aparece como desfecho de conversas iniciadas meses antes, com adiamento provocado pela escalada entre EUA e Irã.

A relação entre Lula e Trump tem sido marcada por momentos de aproximação e de tensão desde a volta de ambos ao poder. Um dos pontos de atrito envolve tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil, com mudanças de patamares ao longo de 2025. O tema já gerou críticas de Brasília a decisões da administração norte‑americana, sobretudo no âmbito econômico e de sanções.

Entre os episódios de maior repercussão, Lula e Trump chegaram a falar publicamente de“química excelente” durante a passagem do presidente americano pela ONU, em Nova York, em setembro de 2025. Na ocasião, o tom foi de reconhecimento mútuo, apesar das discordâncias que se repetiram em outros momentos.

Tarifaços, sanções e tensões

Em abril de 2025, o governo Trump anunciou uma tarifa inicial de 10% sobre produtos brasileiros, em um pacote que ficou conhecido como Dia da Libertação. Em 30 de julho de 2025, o patamar subiu para 40% em várias categorias, sob argumento de enquadramento em lei de “ameaça incomum e extraordinária”.

A queda parcial de tarifas ocorreu mais tarde, com reajustes que suavizaram tensões. Parte das sanções contra o STF e autoridades brasileiras foi atenuada, ainda que o desentendimento sobre o tema tenha se mantido. Em março de 2026, o governo americano estudou classificar facções criminosas no Brasil como terroristas, medida rejeitada pelo Brasil, que defende tratá‑las como organizações criminosas.

Visto de assessor e ramificações diplomáticas

O caso envolvendo o assessor Darren Beattie, próximo de Trump, gerou novo atrito diplomático ao tentar visitar Bolsonaro na prisão. A visita foi negada pelo STF, e o episódio provocou críticas de autoridades brasileiras. A situação gerou controvérsia interna e internauta mostrou a sensibilidade de temas de cooperação entre os dois países.

Outra frente de atrito ficou por conta da prisão e posterior soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem, ligado à PF; ele foi detido nos EUA por questões relacionadas a processos no Brasil. A operação expôs fissuras entre as equipes diplomáticas dos dois países, com avaliações diferentes sobre cooperação e extradição.

Contexto recente e desdobramentos

Ramagem, condenado no Brasil por crimes ligados a ações contra o Estado, vive nos EUA e teve a detenção contestada pela equipe brasileira. A PF informou que a cooperação internacional ocorreu com interlocutores dos EUA, sem esclarecer motivos da soltura. A situação destacou a complexidade de cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos.

As autoridades brasileiras reiteraram a necessidade de respeitar o direito internacional e evitar ações que possam impactar a soberania nacional. O governo brasileiro também acompanha investigações e mudanças na política externa dos EUA que possam influenciar o relacionamento bilateral.

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