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A corrida pela próxima líder da ONU começa

Diálogos com quatro candidatos marcam o início da escolha do próximo secretário-geral da ONU, avaliando credenciais e visão institucional

Former Chilean President Michelle Bachelet speaks to journalists after an informal dialogue for the candidacy of the U.N. secretary-general position, seen at United Nations headquarters in New York City on April 21.
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  • Quatro candidatos oficialmente indicados participam de diálogos ao vivo na sede da ONU, com perguntas de Estados-membros e sociedade civil, nos dias 21 e 22 de abril, cada um por três horas.
  • A atividade é apresentada como transparência no processo de escolha do nono secretário-geral, em meio a promessas de que será “o maior desafio de entrevista de emprego” segundo a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock.
  • O argentino Rafael Grossi, considerado favorito, teve seu diálogo realizado, incluindo um momento em que respondeu em francês a uma pergunta em inglês, em sinal de sensibilidade a votos e veto.
  • Os demais candidatos são Michelle Bachelet, Macky Sall e Rebeca Grynspan, com apoio variável de seus países; Bachelet perdeu a indicação no Chile, enquanto Sall foi indicado pela Burundi e Grynspan com carreira ligada à Organização de Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas.
  • A escolha dependerá de votação no Conselho de Segurança, com sondagens secretas que costumam favorecer candidatos de potências de médio porte; a Assembleia Geral pode, em última instância, rejeitar o candidato, o que aumenta a pressão por alinhamentos regionais, especialmente na América Latina.

O processo de escolha do próximo secretário-geral da ONU começou neste fim de semana, com quatro candidatos respondendo a perguntas sobre suas credenciais diante de Estados-membros e grupos da sociedade civil. As entrevistas, transmitidas ao vivo, ocorrem no prédio da ONU em Nova York.

Os candidatos, todos formalmente indicados por um país-membro, participam de diálogos de cerca de três horas cada. O objetivo é esclarecer competências técnicas, imparcialidade e visão estratégica para o cargo que assume em janeiro. A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, descreveu o momento como um dos processos de seleção mais desafiadores.

Entre os concorrentes, Rafael Grossi, diplomata argentino que lidera a IAEA, é amplamente visto como favorito. Ele discursou em francês durante uma sessão para responder a uma pergunta feita em inglês, numa referência às dinâmicas de veto na Câmara de Segurança. Outros nomes incluem figuras da América Latina e de outras regiões, promovendo um leque diverso de perfis.

A Câmara de Segurança exerce papel decisivo, com votos secretos por meio de “straw polls” que devem começar em julho. É preciso ter apoio de pelo menos nove membros, incluindo os cinco permanentes com poder de veto: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. O mecanismo conserva grande peso na escolha final.

A ONU não detalha totalmente o processo, mas aponta que o conjunto de votos e a recomendação da Security Council direcionam a nomeação. Em paralelo, a Assembleia Geral pode, em teoria, rejeitar o candidato por meio de voto secreto, caso seja apresentada uma alternativa coesa entre as nações, embora isso seja improvável diante das disputas entre grandes potências.

Além do peso político, as eleições também carregam tensões diplomáticas. O histórico aponta que o próximo líder pode vir de regiões diferentes, com debates sobre equilíbrio regional. No momento, há expectativa de que a preferência se incline para candidatos da América Latina e do Caribe, segundo fontes da ONU.

Alguns países emitem sinais públicos sobre requerimentos linguísticos e de legitimidade regional. A França, por exemplo, costuma incentivar candidatos que demonstrem domínio de francês em visitas oficiais. Enquanto isso, membros de mercados emergentes ressaltam a importância de nomes com trajetória multilateral sólida.

As consultas públicas acontecem em meio a pressões financeiras e políticas que cercam a ONU. A administração americana tem enfrentado atrasos significativos no pagamento de verbas, o que alimenta debates sobre influência no processo de escolha. Analistas destacam que o tema pode intersectar negociações internacionais no decorrer do ano.

A tradicional busca por consenso continua sob escrutínio. Diplomatas apontam que reformas mais profundas — como divulgação dos resultados dos straw polls ou apresentação de múltiplos candidatos pelo Conselho — não estão previstas para esta edição. Mesmo assim, as diálogos ampliam a participação de Estados não permanentes.

Os quatro candidatos apresentam-se sob escrutínio intenso e com expectativa de ampliar a transparência do processo. A escolha é vista como um marco para a credibilidade da ONU, diante de um cenário internacional volátil e com debates sobre governança global.

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