- Colombia sediou duas cúpulas internacionais — CELAC e o primeiro Fórum Alto Nível CELAC-África —, destacando o impulso de laços com África, apesar da baixa participação na CELAC.
- Países latino-americanos expandem cooperação com África, com abertura de embaixadas na Etiópia e no Senegal e acordos em áreas como agricultura sustentável e logística portuária.
- Brasil, Colômbia e México aparecem entre os casos de maior avanço, com aumento de comércio e projetos de embaixadas em África; Barbados e Suriname também ampliam presença diplomática na região.
- O posicionamento político domina o impulso: muitos países foram liderados por governos de esquerda que sinalizam maior cooperação sul-sul com África.
- A trajetória recente sugere potencial de continuidade se a cooperação for institucionalizada, como a criação de embaixadas em vez de programas pontuais.
Dois encontros internacionais ocorreram em El Caribe e na Colômbia na última semana, evidenciando uma intensificação das relações entre América Latina e África. O foco foi ampliar cooperações políticas e econômicas, com ênfase em estratégias de sul-sul e em oportunidades comerciais.
Colômbia ministrou encontros importantes: realizou dois fóruns internacionais no país, incluindo a cúpula de líderes da CELAC e o primeiro Fórum de Alto Nível CELAC-África. O evento reuniu autoridades de África e América Latina para discutir parcerias estratégicas. O CELAC nasceu em 2011 para debater assuntos regionais sem a presença dos EUA e Canadá.
The Americas-Africa Link
Petro e Márquez lideram a agenda africana da Colômbia, com abertura de embaixadas em Etiópia e Senegal. A cooperação se ampliou para áreas como agricultura sustentável e logística portuária, com acordos para abrir rotas comerciais e fortalecer investimentos. O governo colombiano destaca uma base de relacionamento mais positiva com a África.
Ao mesmo tempo, México criou uma Câmara de Comércio na Nigéria e negocia com Gana a abertura de uma embaixada no México. O Brasil aumentou o comércio com países africanos em cerca de 11% nos últimos três anos e inaugurou uma embaixada em Ruanda. Barbados e Suriname também promoveram expansão diplomática para África.
Mudanças de cenário e impactos
Historicamente, a cooperação sul-sul ganhou impulso com lideranças de esquerda, mas o momento atual mostra participação mais contida. A baixa adesão à reunião da CELAC-Africa refletiria o clima político regional. Ainda assim, especialistas destacam que não houve retração total, e as ações institucionais podem sustentar o avanço.
Analistas apontam que a presença de África na agenda externa de países latino-americanos pode se consolidar se houver integração institucional, como o estabelecimento de embaixadas e acordos de cooperação de longo prazo. A trajetória de Petro e Márquez é citada como um marco nesse movimento.
Perspectivas
A relação Brasil-África remeteria a uma história de buscar parcerias no sul global, inclusive durante períodos de governos diferentes. A criação de capacidades diplomáticas, segundo especialistas, aumenta a probabilidade de continuidade mesmo com alterações políticas internas. A cooperação pode evoluir de iniciativas pontuais para estruturas permanentes.
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