- PF aponta linhas de investigação sobre Lulinha: mudança para a Espanha, relação com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, pagamentos de viagens e uma empresa de gaveta aberta no início de 2026.
- STF manteve a CPMI em funcionamento por ao menos mais sessenta dias, após decisão liminar de André Mendonça.
- Investigações sugerem que a ida ao exterior pode configurar tentativa de fugir das apurações; defesa diz que mudança ocorreu antes da operação Sem Desconto.
- Há apuração sobre proximidade com o Careca do INSS, viagem a Portugal em 2024 e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro ligados a negócios no setor de canabidiol.
- CPMI tentou quebras de sigilos e convocações; a quebra de sigilos foi suspensa pelo STF; há dúvidas sobre uso de uma agência de viagens para repasses, e a empresa de gaveta na Espanha recebeu atenção dos investigadores.
A Polícia Federal encaminhou ao ministro do STF André Mendonça documentos que apontam linhas de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Os focos atuais incluem a mudança para a Espanha, a relação com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeitas de pagamentos de viagens e a criação de uma empresa de gaveta em 2026.
A PF investiga a saída de Lulinha do Brasil e analisa se a viagem ao exterior configuraria tentativa de evitar o alcance das investigações. O trabalho ocorre em paralelo à CPMI sobre fraudes no INSS, que também apura remessas de recursos envolvendo o filho do presidente.
A defesa de Lulinha contesta a leitura de fuga e sustenta que a mudança ocorreu antes de operações da Polícia Federal relacionadas ao INSS. O planejamento para a mudança para a Espanha teria começado em 2024, com providências adotadas em 2025, como matrícula de filhos e organização da viagem.
Relação com Careca do INSS
A análise da PF aponta a proximidade entre Lulinha e o Careca do INSS, considerado um operador de fraudes no sistema previdenciário. Um ponto investigado envolve viagem a Portugal em 2024 para conhecer um projeto de produção de canabidiol medicinal, com a defesa afirmando que não houve participação em negócios ou investimento.
Lulinha reconheceu contatos com o Careca do INSS, classificando a relação como esporádica e social. A polícia trabalha com a hipótese de que iniciativas empresariais nesse âmbito poderiam ocultar recursos desviados, ainda que essa linha esteja em fase inicial.
A investigação também verifica possíveis pagamentos mensais ao filho do presidente, conforme depoimentos da CPMI. Até o momento, movimentações bancárias diretas não comprovariam repasses, mas há indícios de possíveis triangulações com terceiros.
Possível repasse por meio de intermediários
A PF estuda se recursos do esquema do INSS teriam sido enviados a terceiros próximos a Lulinha, incluindo a empresária Roberta Luchsinger, que nega irregularidades. A quebra de sigilos apontou movimentações que levam a questionar o destino final de parte dos recursos.
Os peritos analisam se parte dos recursos financiou uma agência de viagens vinculada a Lulinha, com indícios de emissão de passagens ligadas ao cadastro migratório. A defesa afirma que a agência presta serviços legais a Roberta Luchsinger e à família, sem relação com as fraudes no INSS.
Entre as linhas de apuração, está a possibilidade de despesas pessoais de Lulinha terem sido custeadas por intermediários, segundo depoimentos da CPMI. Ainda não há confirmação de ligações diretas entre o investigado e as irregularidades do INSS.
Empresa de “gaveta” na Espanha
A imprensa aponta a abertura de uma empresa de gaveta em Madri no início de 2026, registrada como sociedade limitada com capital mínimo. O objeto social totaliza atividades de tecnologia, consultoria e desenvolvimento de sistemas, em endereço comercial na capital espanhola.
A defesa sustenta que a constituição da empresa ocorreu de forma regular e não configura ilegalidade, tratando-se de planejamento pessoal no exterior. A operação não está em funcionamento e não haveria indícios de uso para usos irregulares.
CPMI e sigilos
A CPMI chegou a aprovar, em fevereiro de 2026, a quebra de sigilos de Lulinha, mas o STF suspendeu a medida por considerar irregular a votação. A tentativa de convocar Lulinha para depor também ficou sem avançar, com alegações de falta de provas concretas.
O presidente Lula afirmou que, se houver envolvimento do filho, ele será investigado, defendendo a aplicação da lei para todos. Advogados de Lulinha criticaram a atuação da PF, alegando suposições frágeis e vazamento de informações, enquanto a CPMI mantém atuação limitada.
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