- Os Estados do Golfo enfrentam pressão sem precedentes por ataques do Irã, mas devem manter as grandes estratégias inalteradas, ampliando a parceria de segurança com os EUA e mantendo diálogo com o Irã.
- Há questionamentos sobre a dependência dos Estados do Golfo em Washington; a presença de bases americanas não impediu ataques, e remover bases não seria garantia contra futuros ataques.
- As relações EUA-GCC devem permanecer resilientes, com capacidades de defesa como Patriot e THAAD contribuindo para interceptar grande parte do arsenal iraniano.
- Esforços de diversificação (Paquistão, China, Europa) não substituem plenamente os EUA, e não há evidências de um “NATO regional”; os GCC devem fortalecer estruturas existentes de defesa coletiva.
- Mesmo diante de um sentimento de maior unidade entre o Golfo, diferenças políticas persistem; Oman é exceção ao felicitar o novo líder iraniano, enquanto outros veem a necessidade de cooperação regional contínua.
Os países do Golfo enfrentam um teste sem precedentes de suas políticas e premissas estratégicas. Após pressionarem os EUA para não atacarem o Irã, hoje convivem com ataques diários de mísseis e drones iranianos. A imagem de estabilidade, criada por eles, quebrou-se.
Especialistas divergem sobre o que muda primeiro: abandonar a dependência dos EUA ou manter a pressão para dialogar com o Irã. Ainda há consenso de que o conflito pode levar os líderes do Gulf a repensarem tudo.
Apesar da pressão, é improvável que as grandes estratégias sejam reformuladas de modo radical. O cenário aponta para aprofundar a parceria de segurança com os EUA, mantendo algum canal de contato com Teerã.
Questionamentos sobre a dependência
O conflito reforçou a sensação de que os aliados do Golfo ocupam posição secundária frente a Israel. Bases americanas na região parecem ter tido efeito oposto ao deter ataques, o que alimenta esse debate.
As tensões entre EUA e estados do Golfo não são novas. Em 2003, muitos membros se opuseram à invasão do Iraque; em 2025, o GCC pressionou Washington para cessar fogo entre EUA e Israel. Ainda assim, as ligações não foram rompidas.
Perspectivas de defesa e alinhamentos
Desfeitos, expulsar forças dos EUA não seria solução; isso validaria ataques iranianos. Não há evidência robusta de uso extensivo das bases do Golfo pelos EUA para atacar o Irã, segundo relatos.
Caso outro conflito explodir, é provável que o GCC permaneça alvo de ataques, com ou sem bases americanas. Interceptores ajudam a limitar danos, mas não impedem completamente mísseis e drones.
Alguns golpes de diversificação foram tentados, como acordo entre Arábia Saudita e Paquistão e abertura de canais com outros blocos. Contudo, o recente histórico mostra que a cooperação com o Ocidente continua mais eficiente.
Mudanças na coesão regional
Houve um reforço da sensação de unidade entre povos do Golfo após os ataques iranianos a várias nações da região. Isso alimenta conversas sobre uma possível aliança pan-golfo, semelhante a uma “NATO do Golfo”.
Ainda não há sinais de que esse movimento avance para um acordo político de maior envergadura. Diferenças estratégicas persistem, como a posição do Omã, que elogiou o novo líder iraniano, sem reação semelhante de outros membros.
O dano econômico e as interrupções nos hubs de UAE mostram vulnerabilidades. Mesmo com o fluxo de petróleo mantido pelo oleoduto Leste-Oeste, a região continua exposta a choques logísticos.
O caminho provável
Gulf e EUA devem manter relações estáveis, com a possibilidade de reforço de cooperação militar localizada. O objetivo é fortalecer capacidades de defesa sem lançar um modelo regional totalmente novo de segurança.
Em síntese, mudanças profundas são improváveis. As partes parecem inclinadas a ajustar políticas existentes, mantendo o papel dos EUA como parte da solução, assim como o Irã continua a exigir atenção.
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