- A reportagem do jornal sueco Dagens Nyheter mostra que parte de verba de cooperação para democracia na Suécia financiará o Institute for Conservative Action (IAC), entidade brasileira presidida por Heloísa Bolsonaro.
- O dinheiro, via Hepatica, seria repassado pela Sida neste ano, totalizando 23 milhões de coroas suecas (cerca de 12 milhões de reais), mesmo com a Sida classificando os riscos como extremos.
- O IAC afirma buscar influenciar a sociedade e a legislação em direção conservadora, defendendo vida desde a fecundação, família natural e o combate à “doutrinação” nas escolas.
- O acordo prevê a formação de 350 jovens líderes em princípios democráticos embasados em valores conservadores e judaico-cristãos.
- A Sida disse que contratos assim exigem que parceiros atuem contra usos dos recursos que prejudiquem direitos de meninas e mulheres, com possibilidade de reduzir repasses, bloquear pagamentos ou exigir devolução; a transparência sobre o destino dos recursos é questionada.
Uma reportagem do jornal sueco Dagens Nyheter aponta um uso questionável de verba de cooperação internacional da Suécia. Parte dos recursos destinados a promover a democracia no exterior estaria indo para uma organização brasileira presidida por Heloísa Bolsonaro, nora do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A instituição em foco é o Institute for Conservative Action (IAC), com sede em São Paulo, que atua em parceria com a Hepatica, entidade ligada aos Democratas da Suécia (SD), partido de direita. A reportagem sustenta que 23 milhões de coroas suecas serão repassadas neste ano à Hepatica, valor equivalente a cerca de 12 milhões de reais.
Especificamente, a iniciativa prevê apoiar a formação de 350 jovens líderes em “princípios democráticos” baseados em valores conservadores e na tradição judaico-cristã, segundo a apuração do jornal. O IAC se apresenta como defensor da vida desde a fecundação, da família tradicional e do combate à “doutrinação” nas escolas.
A Hepatica, por sua vez, não comentou as posições do IAC, segundo Dozzi. O secretário-geral da organização limitou-se a dizer que o foco é o cumprimento formal dos objetivos do projeto, sem analisar o mérito das teses do parceiro brasileiro.
A Sida, agência suíada pelo governo sueco, informou que contratos de cooperação exigem que parceiros não usem recursos para ações que prejudiquem direitos de meninas e mulheres. A entidade pode reduzir repasses, bloquear pagamentos ou exigir a devolução de recursos em caso de irregularidades.
Segundo a reportagem, parte significativa dos recursos de cooperação internacional na Suécia é operacionalizada por meio de organizações ligadas a partidos políticos, o que aumenta a complexidade do rastreamento do destino final dos recursos. A questão envolve avaliações de risco e transparência na aplicação de fundos públicos.
A reportagem aponta também que a relação entre a Hepatica e o IAC surge em meio a um contexto político sueco de tensão sobre uso de recursos de cooperação para agendas de partidos, especialmente aquelas associadas a ideologias conservadoras. O tema levanta debates sobre governança e fiscalização de fundos públicos destinados ao exterior.
Dentre as informações destacadas pelo jornal, não fica claro se o acordo com o IAC já provocou desdobramentos formais na Suécia, além dos avisos de risco. A Sida mantém que possíveis medidas administrativas podem ser adotadas para impedir desvios de finalidade.
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