- O livro Between the Waves: The History of a Very British Revolution 1945-2016, de Tom McTague, investiga por que a Grã-Bretanha entrou na EEC em setenta e três e, quarenta e três anos depois, votou pela saída.
- A obra destaca Nigel Farage e o crescimento do eurosceticismo, ligando o tema ao panorama político atual e às perspectivas da Reform UK.
- Fatores históricos destacados incluem o fim da Guerra Fria, o peso da Alemanha unificada, o Maastricht de noventa e dois, a introdução do euro e a expansão da União Europeia em dois mil e quatro, com impacto migratório significativo no Reino Unido.
- Figures centrais do enredo são Jean Monnet, defensor da integração europeia, e Enoch Powell, conservador influente cuja visão sobre soberania nacional contrasta com a abordagem europeísta.
- McTague sustenta que elites britânicas apoiaram um relacionamento estratégico com a Europa sem aceitar plenamente o federalismo, o que contribuiu para o Brexit; pesquisas recentes indicam evolução de opinião em direção a uma possível reintegração no futuro.
O livro Between the Waves: The History of a Very British Revolution 1945-2016, do jornalista Tom McTague, analisa a trajetória que levou a Grã-Bretanha a aderir à EEC em 1973 e a votar pela saída 43 anos depois. A obra coloca Nigel Farage e o movimento euroscéptico no centro do debate.
McTague, editor-chefe da revista The New Statesman, apresenta uma síntese de fatores que favoreceram a ruptura. O texto situa a virada histórica após o fim da Guerra Fria e aponta o enfraquecimento da força britânica frente à consolidação alemã como elementos que desafiaram a justificativa da participação na UE.
O autor contrapõe trajetórias de figuras como Jean Monnet, idealizador de um processo de integração, e Enoch Powell, conservador que traduziu ansiedades sobre imigração e soberania. A narrativa destaca como visões distintas moldaram a percepção sobre a integração europeia no Brasil de acordos e fronteiras.
Na análise de McTague, o Maastricht de 1992 e a adoção da moeda única consolidaram a ideia de uma Europa de estados mais integrados e, para muitos britânicos, a limitação de sua soberania. A ampliação da UE em 2004 intensificou o fluxo migratório e reacendeu o debate sobre o lugar do Reino Unido.
O autor descreve o papel de Tony Blair e a decisão de não impor controles temporários a imigrantes da UE, considerada por McTague como uma das decisões mais relevantes da era pós-guerra na relação com a Europa. O texto ressalta impactos sociais e econômicos da migração no Reino Unido.
McTague aponta que o eurossexismo não foi monolítico. Embora Farage apareça como líder de Reform UK, o autor enfatiza que o cansaço com a UE atravessa espectros políticos, incluindo parcelas da esquerda que priorizavam a soberania parlamentar frente a blocos regionais.
A obra também discute o atual cenário político britânico, com pesquisas mostrando liderança de Reform sobre os rivais em cenários de eleição. Farage é descrito como figura que, mesmo sem posições extremas, mobiliza um segmento expressivo do eleitorado.
Entre os elementos do livro, destaca-se a leitura de que o Brexit não foi apenas um impulso isolado, mas o ponto final de um conflito histórico entre soberania parlamentar inglesa e aquele sonho europeu, alimentado por elites políticas ao longo de décadas.
Para o panorama contemporâneo, o texto cita o retorno gradual de Starmer a alianças de segurança europeias diante de pressões de imigração e custos do Brexit. O debate público permanece aceso e o apoio à possível reintegração da UE cresce entre parte da população.
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