- Giorgia Meloni rompeu cinco dias de silêncio e disse que “não estamos em guerra e não queremos entrar” no conflito envolvendo Irã, destacando que qualquer uso de bases italianas pelos EUA precisa de aprovação parlamentar.
- Os EUA ainda não solicitaram formalmente o uso de bases na Itália; quando houver, a autorização seria apenas para apoio logístico, não para ações de guerra.
- Itália pretende enviar ajuda militar ao Golfo para reforçar a defesa antiaérea, seguindo exemplo de Reino Unido, França e Alemanha, além de enviar navios militares a Chipre.
- Estimam-se cerca de cem mil italianos na região do Oriente Médio, com cerca de dez mil já repatriados; a presença é citada para justificar cautela italiana.
- O ministro da Defesa, Guido Crosetto, e o ministro de Relações Exteriores, Antonio Tajani, irão ao Parlamento apresentar uma resolução sobre a linha do governo; Crosetto argumenta adaptação à situação e reconhece violação do direito internacional na operação sem aviso prévio.
Giorgia Meloni rompeu o silêncio de cinco dias sobre o ataque de EUA e Israel a Irã, dizendo que a Itália não está em guerra e não pretende entrar no conflito. A primeira-ministra falou em rádio, após permanecer ausente do debate público na semana.
A crise expõe o esvaziamento do peso italiano nas relações entre a União Europeia e a Casa Branca. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, foi pego de surpresa pela operação durante um fim de semana em Dubai, sem escolta, sem aviso prévio dos serviços de inteligência e sem comunicação oficial com o governo italiano.
Crosetto voltou a Roma em aeronave militar, arcando com o custo do bilhete para evitar protestos. A gestão do episódio evidenciou que ninguém informou o governo italiano previamente sobre a ação contra o Irã.
Meloni afirmou que Estados Unidos ainda não solicitou o uso das bases italianas no território, que abrigam cerca de 34 mil militares em oito instalações. Qualquer pedido, segundo ela, deve passar pelo Parlamento e seria apenas para apoio logístico, não para ações militares.
A chefe do governo indicou que a Itália planeja enviar ajuda militar aos países do Golfo para reforçar a defesa antiaérea, seguindo o example de Reino Unido, França e Alemanha. O objetivo é proteger dezenas de milhares de italianos e cerca de 2 mil militares na região, além de manter o abastecimento estratégico.
Além disso, a Itália pode enviar uma fragata a Chipre, alinhando-se a outros países europeus, para atuação na região. Dados de veículos italianos apontam cerca de 100 mil italianos no Oriente Médio, entre turistas e residentes, com cerca de 10 mil já repatriados.
Paralelamente, Crosetto e o ministro de Relações Exteriores, Antonio Tajani, devem apresentar uma resolução no Parlamento para esclarecer a linha de governo. O texto menciona a disponibilidade de bases para uso limitado por parte dos EUA, conforme acordo de 1954.
A posição italiana também foi comparada à de Espanha, que enfatizou acordos bilaterais vigentes. Tajani defendeu a justificativa de apoiar aliados em circunstâncias de risco, sem abandonar o marco legal internacional.
A oposição de centro-direita na Itália tem criticado Meloni por manter falas públicas fora do Parlamento. Em resposta, Crosetto destacou que o país não está envolvido no conflito e enfatizou o envio de equipamentos defensivos, como sistemas de defesa aérea.
A estratégia italiana, segundo autoridades, é manter prudência diante de um cenário regional instável, com foco na proteção de italianos no exterior e na cooperação com aliados para defesa antiaérea e interdição de ameaças.
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