- Nepál realiza eleição geral em meio a confronto entre a velha guarda e um poderoso movimento liderado por jovens, quase seis meses após protestos estudantis que levaram o então primeiro-ministro a renunciar.
- Quase 19 milhões de eleitores vão definir quem assume o governo interino instalado após o levante de setembro de 2025, que deixou ao menos 77 mortos e provocou incêndios em escritórios do parlamento e de governos.
- Entre os candidatos de destaque estão o ex-primeiro-ministro marxista buscando retorno, um rapper que virou prefeito disputando o voto juvenil e o novo líder do Nepali Congress, partido tradicional.
- A disputa principal ocorre na região planaltina sul de Katmandu, com Jhapa-5 recebendo um confronto direto entre o ex-prefeito Balendra Shah e o líder mao-líder KP Sharma Oli, visando indicar assento parlamentar crucial.
- São 165 lugares disputados em voto direto para a Câmara dos Representantes (275 total), com votação encerrando às cinco da tarde; resultados do sistema de representação proporcional podem atrasar, e pode levar dias para a formação de coalizões.
Nepal inicia nesta sexta-feira uma eleição geral marcada pelo embate entre a velha guarda política e um forte movimento de jovens. A votação ocorre quase seis meses após protestos liderados pela gen Z, que levaram o então primeiro-ministro a deixar o cargo. O pleito substitui o governo interino formado após o levante de setembro de 2025, que deixou dezenas de mortos e danos a edifícios públicos.
Quase 19 milhões de eleitores escolhem quem ocupará a chefia do governo e o parlamento de 275 cadeiras. O processo envolve 3,4 mil candidatos disputando 165 vagas na eleição direta, além de 110 assentos preenchidos por listas partidárias. Desafios logísticos incluem áreas montanhosas e transporte de urnas.
Entre os candidatos a primeiro ministro estão o ex-primeiro ministro marxista KP Sharma Oli, buscando returns ao poder, e Balendra Shah, ex-prefeito de Katmandu e rapper, líder do Rastriya Swatantra Party, que se coloca como símbolo de renovação. Gagan Thapa, líder do Nepali Congress, também concorre e defende a ruptura com o ciclo de líderes veteranos.
No estado de Jhapa, 163 mil eleitores definem a votação entre Oli e Shah, em uma disputa considerada crucial. Shah incentiva a mobilização com o chamamento para acender o símbolo de mudança do seu partido. O território, além de ser foco da disputa, concentra parte das campanhas que tentam atrair o eleitorado jovem.
A votação ocorre em meio à forte presença de forças de segurança e à mobilização de moradores locais. O interim prime minister Sushila Karki pediu voto consciente e sem temor. Helicópteros transportam materiais eleitorais para áreas de difícil acesso, para garantir a participação, especialmente nas regiões montanhosas.
A apuração deve seguir o sistema de voto majoritário nas urnas e, em seguida, o resultado pode levar dias para consolidar a composição do governo, com negociações de coalizão ocorrendo conforme o escrutínio avança. O comitê eleitoral informou que o escrutínio poderá ser concluído em 24 horas para o segmento direto, e mais tempo para o sistema de representação.
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