- Documentos da CPMI do INSS indicam que uma conta do grupo J&F enviou R$ 55,7 milhões para empresas ligadas a Danilo Trento, investigado por desvios de aposentadorias.
- O programa Meu INSS Vale+ teve 341.100 cadastros e mais de R$ 252,5 milhões antecipados; o PicPay foi responsável por parte dos pagamentos, recebendo cerca de R$ 110,5 milhões.
- As transações ocorreram entre dezembro de 2024 e abril de 2025, período em que o Vale+ esteve ativo, conforme análises do COAF.
- O relator da CPMI, Alfredo Gaspar, sugeriu que Trento teria aproximado o PicPay da cúpula do INSS para estruturar o programa.
- O INSS encerrou o Vale+ em maio de 2025 após denúncias da Febraban; o PicPay afirmou que o programa oferecia apenas antecipação sem descontos aos aposentados.
O grupo J&F, dono da J&F e controlador do PicPay, teria enviado R$ 55,7 milhões para empresas ligadas a Danilo Trento, segundo documentos da CPMI do INSS. A transferência ocorreu entre dezembro de 2024 e abril de 2025, período de vigência do Meu INSS Vale+.
A CPMI aponta que as transações partiram de uma conta do grupo e teriam ligação com o programa de antecipação de pagamentos do INSS. Trento é investigado por desvios de aposentadorias em apurações anteriores da CPI da Covid.
341 mil beneficiários aderiram ao Meu INSS Vale+, que chegou a antecipar mais de R$ 252 milhões. O programa foi suspenso em maio de 2025 e encerrado em agosto, após denúncias de cobrança de taxas consideradas ilegais.
Detalhes da operação financeira
Analises do COAF indicam cinco transações entre 2024 e 2025 envolvendo a conta do grupo J&F. As operações ocorreram durante a vigência do Vale+, quando o PicPay seria beneficiado pelo INSS, segundo a CPMI.
A defesa do INSS aponta que, no período, apenas o PicPay operou efetivamente entre as instituições habilitadas, apesar de Agibank e Sudacred também terem sido citadas. A cobrança de taxas variava de 4,99 a 20,99 por antecipação.
Papel de Trento e desdobramentos
Relator da CPMI, Alfredo Gaspar ressalta a coincidência de datas entre os repasses e o surgimento do programa, além de ligações com Stefanutto, ex-presidente do INSS. Trento já foi citado em investigações passadas da CPI da Covid.
O PicPay negou que o programa cobrasse juros ou descontos indevidos, afirmando tratar-se de uma opção de antecipação de benefício sem descontos na conta. O INSS informou que a prática foi suspensa e posteriormente cancelada.
Encerramento do programa e auditorias
O INSS encerrou o Vale+ em agosto de 2025 e rescindiu o ACT com o PicPay em janeiro de 2026. A auditoria do TCU, autorizada em setembro de 2025, resultou em reembolso aos segurados lesados, conforme despacho de dezembro daquele ano.
Durante depoimento, o presidente Gilberto Waller Júnior afirmou que houve necessidade de um pente-fino nas antecipações, identificando cobranças consideradas taxas embutidas. O INSS ressaltou a defesa de que o programa não possuía previsibilidade financeira.
Projeções e desfechos
O Minha INSS Vale+ pretendia beneficiar até 38 milhões de pessoas com a antecipação de parte dos benefícios. A versão final do normativo que embasou o programa trouxe mudanças que facilitaram o desembolso, porém com controvérsias legais e éticas.
Em nota, o PicPay reforçou que o Vale+ era uma opção de antecipação sem descontos, e destacou a parceria com o INSS como parte de um arranjo institucional. O caso segue sob análise de órgãos de fiscalização.
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