- Um grupo pró-Israel, UK Lawyers for Israel (UKLFI), pressionou a Open University (OU) para alterar o uso do termo “antiga Palestina” em materiais didáticos, alegando incerteza histórica e risco de ofensa.
- A OU, após avaliação, afirmou que o termo era academicamente apropriado, mas concordou em não utilizá-lo em materiais futuros e a contextualizá-lo em materiais já existentes.
- A decisão ocorreu no contexto de uma ofensiva mais ampla de cobranças sobre discurso e identidade palestiniana em instituições públicas, defendida por britânicos e outros países, conforme criticado por opositores.
- A legislação inglesa de liberdade de expressão de 2023 impõe às universidades o dever de proteger a livre expressão, mesmo que possa ser ofensiva a alguns grupos, embora haja controvérsia sobre como isso se aplica ao caso.
- O episódio gerou questionamentos sobre a independência curricular das universidades, já que a OU afirma não ser influenciada por organizações externas, mas reconheceu mudanças em referência a “antiga Palestina” em materiais futuros.
O Open University (OU) anunciou que não utilizará mais o termo “ancient Palestine” em materiais futuros, após contestação de um grupo pró-Israel. A intervenção ocorreu por meio de uma queixa de UK Lawyers for Israel (UKLFI), que afirmava que a expressão era historicamente imprecisa e poderia excluir identidades judaicas, configurando ambiente de aprendizado hostil.
A resposta do OU, baseada em solicitação de acesso à informação pela Palestine Solidarity Group, indicou que o termo continua academicamente adequado. O histórico cita Heródoto, que usava a expressão para descrever uma região mais ampla do que costuma ser reconhecida hoje. Mesmo assim, oOU reconheceu associações políticas e decidiu um caminho de contextualização.
O órgão afirmou manter a terminologia em materiais anteriores e introduzirá notas explicativas para estudantes atuais, sem alterar a visão acadêmica central. Em comunicado, o reitor ressaltou o compromisso com a liberdade acadêmica, mas mencionou a necessidade de contextualizar termos sensíveis.
Contexto legal e reações
O caso ocorre no marco do Higher Education (Freedom of Speech) Act 2023, que impõe às universidades a garantia de liberdade de expressão, mesmo quando ofensiva a alguns setores. Analistas veem o episódio como exemplo de pressões externas sobre currículos, sob o pretexto de conformidade com normas.
Críticas apontam que a pressão de grupos de advocacy pode influenciar terminologia histórica. Defendem que universidades devem manter a integridade acadêmica, evitando a censura com base em controvérsias políticas. A discussão envolve também representantes de outras instituições e casos paralelos no Reino Unido.
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