- Zohran Mamdani apresentou um orçamento para a cidade de Nova York no valor de 127 bilhões de dólares, considerado não acessível.
- O impulso financeiro da cidade quase dobrou desde 2014, ainda que a população tenha recuado durante a pandemia e só tenha se recuperado parcialmente até 2024.
- Gasto per capita é alto: em 2023 NYC gasta mais por pessoa que Los Angeles e mais que Houston; o orçamento educacional subiu para mais de 40 bilhões de dólares, com gasto por estudante previsto em quase 35 mil dólares para 2026.
- Mamdani propõe aumentar impostos sobre renda e empresas ou elevar o imposto sobre a propriedade em quase 10 por cento.
- A abordagem defendida aponta para ampliar moradias de mercado para aumentar a base tributária e reduzir custos, em vez de subsídios que elevam o preço dos aluguéis.
New York City enfrenta um orçamento que muitos consideram elevado demais diante da queda populacional ocorrida durante a pandemia. O candidato Zohran Mamdani prometeu tornar a cidade mais acessível, mas apresentou nesta semana um orçamento visto como pouco viável para esse objetivo. O total é de 127 bilhões de dólares, cifra que ressalta o tamanho do gasto público da maior cidade dos EUA.
O peso fica ainda maior quando se observa que a população da cidade recuou entre 2020 e 2022, e só posteriormente houve alguma recuperação. Com menos contribuintes, o valor gasto por pessoa aumenta, pressionando o debate sobre financiamento de serviços públicos essenciais.
Montante, desempenho e educação
O orçamento de Nova York cresceu bastante nos últimos anos. Em 2014, o orçamento de referência era de cerca de 70 bilhões de dólares; hoje, passa de 127 bilhões. O aumento supera a inflação e o crescimento econômico da cidade.
Na área de educação, o gasto tem subido mesmo com queda de matrículas. O orçamento educacional subiu de cerca de 34 bilhões em 2019 para mais de 40 bilhões, com previsão de gasto por aluno próximo de 35 mil dólares em 2026, entre os maiores do país. Resultados de desempenho variam, com índices de graduação e leitura ainda abaixo de metas para o nível de investimento.
Impostos e encargos
A cidade já figura entre as mais tributadas do país, especialmente para pessoas de alta renda, com alíquotas combinadas de imposto de renda estadual e municipal acima de 14% e marginais que podem superar 50% quando somados aos impostos federais. Para negócios, a taxa marginal corporativa total fica em torno de 17,4%.
Mamdani propõe elevar ainda mais as alíquotas de renda e de imposto corporativo, ou, na ausência, aumentar os impostos sobre a propriedade em quase 10%. Em 2022, os impostos sobre a propriedade já representavam mais de 27% do custo de possuir imóvel na cidade.
Comparações com outras cidades e críticas
O artigo aponta que Nova York exemplifica um problema apontado por analistas: cidades de gestão majoritariamente única tendem a prometer mais gastos sem conseguir entregar resultados proporcionais. São citados o Los Angeles e Chicago como casos de gestão pública enfrentando dificuldades com moradia, serviços e contas previdenciárias.
O orçamento de Los Angeles para 2025-2026 prevê quase 1 bilhão de dólares para lidar com a população sem-teto, com registros de aumento de moradia em 2023 e críticas sobre a aplicação de recursos. Chicago é citado para ilustrar desafios de despesas com pensões e a sustentabilidade financeira da cidade.
Caminho a seguir
O texto analisa a ideia de que o problema não está apenas em ampliar subsídios, mas em tornar a habitação mais acessível por meio de políticas que incentivem a construção de moradias no mercado, aumentando a base de contribuintes, fortalecendo escolas e impulsionando o PIB local. A sugestão é facilitar o desenvolvimento de moradias de renda de mercado.
A defesa de políticas públicas aponta a necessidade de governança eficaz: ruas mais seguras, escolas funcionando, saneamento previsível e, principalmente, oferta de moradias suficientes para a classe média. O argumento central é que o custo elevado decorre do crescimento do governo acima da capacidade da sociedade de financiá-lo.
Este artigo foi originalmente publicado no Washington Post e republicado aqui como parte da difusão regular do trabalho de Fareed Zakaria.
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