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Epstein tentou criar rede de influentes no Oriente Médio, mostram documentos

Saída do CEO da DP World ocorre após documentos mostrarem ligações com Epstein, apontando tentativa de ampliar rede de influência no Oriente Médio e gerando escrutínio financeiro

Late financier and convicted sex offender Jeffrey Epstein and Sultan Ahmed Bin Sulayem are seen in this undated handout image from the Epstein estate released by Democrats on the House Oversight Committee in Washington, D.C., U.S., on December 18, 2025.
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  • O chief executivo da DP World, Sultan Ahmed Bin Sulayem, deixou o cargo após seu nome aparecer nos arquivos do Departamento de Justiça dos EUA relacionados a Jeffrey Epstein.
  • Epstein tentou criar uma rede de contatos influentes no Oriente Médio, com mensagens que mencionam encontros e relacionamentos com mulheres.
  • Em um e-mail de 9 de novembro de 2007, Bin Sulayem relatou um encontro com uma mulher em Nova York, dizendo que houve mal-entendido sobre intenções comerciais.
  • Investidores internacionais suspenderam novos investimentos na DP World devido a ligações alegadas com Epstein, incluindo British International Investment e a Caisse de dépôt et placement du Québec (La Caisse), que disseram pausar novos aportes.
  • Documentos revelam ainda que Epstein discutiu assuntos como a IPO da Saudi Aramco, relações com o Qatar durante o bloqueio regional e contatos com figuras de Egito, embora não esteja claro o impacto real dessas interações.

DUBAI, 18 de fev. – Documentos do DOJ dos EUA revelam que Jeffrey Epstein tentou construir uma rede poderosa de figuras políticas e empresariais no Oriente Médio, potencialmente impactando relações na região. Enquanto isso, o MD do DP World anunciou a saída do CEO Sultan Ahmed Bin Sulayem, em meio ao escrutínio sobre seu vínculo com Epstein.

A DP World confirmou a renúncia de Bin Sulayem como presidente e diretor executivo. A decisão ocorreu após o registro do nome dele nos arquivos de Epstein, segundo duas fontes próximas ao caso, que também apontaram pressão de investidores diante das informações.

Segundo as mensagens, Bin Sulayem discutiu relações sexuais com mulheres apresentadas por Epstein, incluindo um relato de encontro em Nova York. Em um e-mail de 9 de novembro de 2007, ele descreveu o encontro e alegou um mal-entendido envolvendo negócios.

O jornal informou que o decreto do governante de Dubai nomeou um novo presidente para a Dubai Ports, Customs and Free Zone Corporation, órgão onde Bin Sulayem já atuava. A imprensa local não detalhou outros efeitos da mudança na liderança.

A Reuters analisou apenas parte dos arquivos de Epstein relacionados a Bin Sulayem. Não ficou claro o que levou à saída dele, mas as fontes disseram que o tema está ligado aos arquivos. Não houve resposta oficial de Bin Sulayem ou da DP World.

Em emails, Epstein descreveu Bin Sulayem como uma pessoa divertida e confiável, mencionando ainda que o empresário muçulmano não bebe e pratica a oração cinco vezes ao dia. Uma foto não datada mostra os dois cozinhando juntos, em tom descontraído, segundo conteúdos publicamente disponíveis.

Organizações financeiras que investem na DP World, como a British International Investment e o fundo de pensão canadense La Caisse, suspenderam novos investimentos com a empresa por conta das supostas ligações de Bin Sulayem a Epstein. As entidades pediram esclarecimentos e ações corretivas.

A documentação do DOJ também mostra que Epstein tentou influenciar empresários e figuras políticas da região durante a crise do Qatar entre 2017 e 2021. Em conversa com um membro da família gobernante do Catar, Epstein sugeriu ajustes na postura do país e até tocar em temas com Israel para manter alinhamento com a administração Trump.

Além disso, Epstein discutiu a oferta pública inicial da Saudi Aramco e sinalizou opções de venda de ações para ampliar liquidez, sem abrir mão de impactos legais. Autoridades da Aramco não se pronunciaram sobre o conteúdo dos e-mails revelados.

Os documentos mostram ainda contatos no Egito, incluindo possíveis solicitações enviadas por familiares de Hosni Mubarak, após a queda do regime em 2011. Não há confirmação sobre qualquer intervenção de Epstein nesse caso específico.

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