- No MSC 2026, líderes europeus dizem que a ordem mundial pós–Segunda Guerra Mundial chegou ao fim e culpam o presidente dos EUA, Donald Trump.
- O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que, hoje, existe uma “profunda distância” entre Europa e Estados Unidos, mas ressaltou a necessidade de cooperação na Otan.
- Uma carta aberta, assinada por todos os ex-embaixadores dos EUA na Otan desde 1998 e pela maioria dos ex-comandantes supremos da Otan na Europa, enfatiza que a Otan é crucial para os interesses norte‑americanos.
- O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, defendeu reformar o multilateralismo e distribuiu bonés “Make the UN Great Again” aos participantes.
- Democratas presentes destacaram a crise transatlântica e citam lições da Groenlândia, apontando incertezas sobre o apoio futuro de partidos republicanos aos aliados europeus.
O primeiro dia da MSC 2026 em Munique trouxe um tom mais direto sobre a ordem global pós-Segunda Guerra. O evento ocorre no Bayerischer Hof, e a pauta aponta para um afastamento entre Europa e Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump.
O presidente alemão, Friedrich Merz, afirmou que a ordem baseada em regras existe de forma fragilizada, destacando uma divisão entre Europa e EUA. Mesmo assim, ele reforçou a importância da cooperação atlântica e da OTAN para interesses compartilhados.
Na sala, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, defendeu a ideia de reformar o multilateralismo e criticou o status atual do sistema internacional. A comitiva europeia, representada pela chefe de política externa da UE, detalhou a dependência mútua entre Washington e Berlim.
Mudanças na percepção transatlântica
Analistas destacam que o MSC 2026 sinaliza uma reavaliação estratégica entre aliados, com ênfase na necessidade de diversificação de parcerias comerciais e de investimentos em defesa. Fóruns anteriores registraram falas duras sobre o relacionamento com os EUA, agora com foco em cooperação prática.
Senadores democratas presentes, como Chris Murphy, destacaram a incerteza sobre o rumo político dos EUA após Trump. Eles ressaltaram a importância de manter o relacionamento com a Europa, sem subestimar possíveis mudanças no cenário republicano.
Em meio aos debates, a delegação europeia sinalizou que buscará maior autossuficiência tecnológica. Em conversa com a imprensa, Fiona Murray, presidente do NATO Innovation Fund, apontou avanços em financiamento de startups de 24 países da OTAN, sem incluir EUA e Canadá ainda.
Panorama técnico e estratégico
Murray ressaltou desafios na resiliência de cadeias produtivas, sobretudo com a dependência de fornecedores estrangeiros. A ideia é incentivar políticas públicas que permitam maior proteção econômica sem prejudicar a competitividade.
A cobertura da MSC 2026 também apresenta relatos de debates sobre o papel da China na cadeia tecnológica global. A necessidade de evitar dependências excessivas e, ao mesmo tempo, manter eficiência econômica aparece como tema transversal entre os participantes.
A conferência segue com painéis sobre segurança, alianças e modernização de estruturas militares, mantendo o foco no equilíbrio entre autossuficiência europeia e cooperação transatlântica.
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