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Taiwan reforça dependência dos EUA, questiona o “escudo de silício” e alerta para riscos de alianças com a China sob Trump

Then-National Tsinghua University sociology professor Chen Ming-chi speaks to journalists in Taipei, Taiwan, on Jan. 14, 2024.
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  • O vice-ministro de Relações Exteriores de Taiwan, Chen Ming-chi, discute a relação com os EUA, a gestão de Donald Trump e a cautela em relação à China, destacando vendas de armas de mais de $11 bilhões aprovadas pelo governo americano e um acordo comercial que ofereceu alívio tarifário em troca de investimentos taiwaneses de $500 bilhões.
  • Chen participou do sexto Diálogo de Parceria Econômica entre EUA e Taiwan, com acordos para fortalecer cadeias de suprimento de tecnologia, minerais críticos e drones.
  • Taiwan depende do TSMC para o que é chamado de “escudo de silício” na cadeia global de oferta de semicondutores; há pressão para mover 40% da capacidade de fabricação para os EUA, posição que Taiwan contesta.
  • O presidente americano, Trump, mencionou operações militares na Venezuela e discussões sobre Groenlândia; Chen afirma que ações do Texas não abalam a confiança em Taiwan e que ações faladas importam menos que feitos.
  • Chen aponta dois grandes motivos de preocupação: o orçamento de defesa de $ 40 bilhões em Taiwan, ainda emperrado no Legislativo, e o fato de aliados aprofundarem laços com a China; ele cita a importância da democracia de Taiwan e rejeita hedge contra o risco americano, enfatizando que Xi Jinping não inspira confiança.

O jornalismo acompanha a entrevista com o vice-ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Chen Ming-chi, realizada no fim de janeiro, em Taipei. O tema central foi a relação de Taiwan com os Estados Unidos, a defesa nacional e a confiança em Pequim.

Chen analisou as mudanças nas relações com os EUA durante a segunda gestão de Donald Trump, destacando que a política externa de Washington se tornou mais incerta e imprevisível para Taiwan e seus aliados tradicionais. O diplomata ressaltou que, apesar de o governo americano reconhecer a China como representante legítimo, as ações dos EUA importam mais que as palavras.

O vice-ministro explicou que Taiwan celebra avanços recentes, como o maior pacote de venda de armas já autorizado pelos EUA, em dezembro, superior a 11 bilhões de dólares, além de um acordo comercial que, em janeiro, favoreceu tarifas reduzidas em troca de investimentos taiwaneses nos EUA.

Contexto regional e econômico

Durante o encontro, Chen confirmou a participação de Taiwan no Diálogo de Parcerias Econômicas com os EUA, que resultou em compromissos de cooperação em cadeias de suprimentos tecnológicas, minerais críticos e drones. A delegação taiwanesa avaliou positivamente o alinhamento entre as partes para oportunidades futuras.

Um eixo relevante é a estratégia dos EUA de reportar a produção de semicondutores para território americano, setor pelo qual Taiwan, por meio da TSMC, exerce papel central. A reindustrialização busca diversificar a cadeia de suprimentos global, com Taiwan levando em conta esse cenário diante de pressões estratégicas regionais.

Chen afirmou que não há receio de que políticas norte-americanas venham a enfraquecer o “silicon shield” taiwanês, explicando que a importância de Taiwan não depende apenas de semicondutores, mas também de geografia, valores e democracia. A tecnologia, disse, é um componente adicional para a estabilidade regional.

O diplomata comentou ainda que as ações dos EUA no mercado internacional, incluindo intervenções militares, sinalizam capacidade de usar meios militares para alcançar objetivos diplomáticos e manter relações com aliados, sem sinalizar uma mudança de postura frente a Pequim.

Perspectivas e dilemas

Entre as preocupações de Chen está o orçamento de defesa de Taiwan, estimado em 40 bilhões de dólares, que enfrenta resistência doméstica no Legislativo. O vice-ministro chamou a atenção para a importância de demonstrar compromisso com a defesa, destacando que o país não pode abrir mão da própria proteção.

Outro tema abordado foi a relação de aliados com a China, com preocupações sobre visitas de líderes de Canadá e Reino Unido a Pequim este ano, em meio a dúvidas sobre a confiabilidade contínua dos EUA. Chen ressaltou que a participação global não deve ser moldada apenas por pressões externas, enfatizando que Taiwan mantém a linha de apoiar e manter a parceria com os EUA.

Por fim, Chen ressaltou que a estratégia de Taiwan não envolve apenas contrapeso ao EUA, mas a construção de relações estáveis com vizinhos, como Japão e Filipinas, para evitar depender de uma única potência. O diplomata reiterou a prioridade de proteger a democracia taiwanesa e a importância de escolhas soberanas diante de cenários geopolíticos complexos.

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