- Ultranacionalistas chamados de “Z-patriots” passam a desconfiar de Moscou e veem os Anglo‑saxões como inimigos conspiratórios, virando o conflito contra o próprio governo de Putin.
- Uma entrevista recente no canal Roi TV, conhecido entre os círculos pró‑guerra, reúne Maxim Kalashnikov e Yuri Yevich para discutir uma “salvação” fascista da Rússia.
- A fala de Yevich mistura linguagem biológica e teorias de conspiração para afirmar que o Ocidente é predador e a Rússia precisa de “intervenção cirúrgica” global.
- O impacto ideológico é a desilusão entre apoiadores radicais, colocando em risco o apoio social ao governo e abrindo brechas para críticas internas.
- Caso haja nova derrota militar, acordo impopular ou crise econômica, esses radicais podem intensificar a pressão, buscando purgar o que veem como traidores e restaurar a “glória imperial”.
Putin enfrenta oposição interna entre ultranacionalistas que apoiam a invasão da Ucrânia, mas criticam a condução do governo. O debate ganhou fôlego após declarações do presidente em 30 de setembro de 2022 sobre sanções, associando-as aos “Anglo-Saxões” e a sabotagem.
Especialistas descrevem como o termo Anglo-Saxons passou a representar, entre os Z-patriots, uma visão conspiratória de Londres como centro de um controle global antagonista. Essa leitura critica o Kremlin e alimenta ressentimentos contra autoridades russas.
A preferência pela narrativa conspiratória não é apenas retórica: envolve figuras públicas ligadas ao movimento, como Maxim Kalashnikov, que dirige um canal de propaganda pró-guerra, Roi TV, com quase meio milhão de inscritos. O conteúdo questiona a capacidade do governo de conduzir a guerra.
Em diálogo publicado em agosto de 2025, Kalashnikov entrevista Yuri Yevich, especialista em medicina tática e criador de uma academia para soldados russos. Yevich já foi processado em 2023 sob acusações de difamar o exército, em um caso visto como teste de resposta aos Z-patriots.
Yevich sustenta uma visão biológica para explicar a relação do Ocidente com a Rússia, descrevendo os anglo-saxões como predadores. O debate utiliza linguagem de medicina e referências históricas para sustentar a ideia de intervenção global.
A estética de discurso dos Z-patriots mistura referências ao conceito de uma “Terceira Roma” com críticas ao Ocidente. Autores associados a essa corrente defendem que a guerra atual é parte de uma luta metafísica entre civilizações, segundo narrativas difundidas entre simpatizantes.
O efeito político interno é relevante: a promessa de inimigos claros serviu para sustentar suporte ideológico à operação militar. Contudo, a radicalização de alguns membros pode gerar dilemas para o governo, ao expor divergências entre elites e ativos radicais.
A ascensão de ódio dirigido e a busca por purgação entre esses setores sugere potencialmente mais violência política. A tensão cresce à medida que relatos de infiltração de discursos extremistas se fortalecem entre apoiadores do regime.
A expectativa entre analistas é de que um novo revés militar ou econômico possa intensificar a pressão dos Z-patriots. Nesse cenário, a aliança entre governo e ultranacionalistas pode sofrer rupturas, com consequências para a coesão institucional.
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