- A reportagem acompanha o tema do casamento infantil na região norte da Índia, onde, mesmo sendo ilegal, a prática persiste e afeta meninas na fronteira com o Nepal.
- Em Shravasti, Uttar Pradesh, a autora conheceu Arti, então com 14 anos, no dia anterior ao casamento previsto, em meio aos preparativos da celebração.
- Aos 17 anos, Arti ficou grávida pela primeira vez, sofreu aborto em 2019 e ficou debilitada emocional e fisicamente.
- Em abril de 2020, durante a primeira onda da pandemia, Arti tirou a própria vida, conforme ligação do sogro à jornalista Saumya Khandelwal.
A repórter Saumya Khandelwal, photojornalista com base em Delhi, acompanhou a história de uma menina em meio à prática ilegal do casamento infantil na região fronteiriça de Shravasti, entre a Índia e o Nepal. Dados de 2013 apontavam que 25% das meninas em Shravasti se casavam antes de completar 19 anos.
Em 2013, a jornalista descobriu um panfleto de uma organização que atuava contra o casamento infantil e decidiu acompanhar a situação na região. Shravasti fica a menos de 150 quilômetros de cidades grandes, com forte fluxo migratório e mulheres assumindo tarefas domésticas precocemente.
Em abril de 2014, ela encontrou Arti, então com 14 anos, um dia antes do casamento. Arti administrava a casa enquanto a família se organizava para a cerimônia; ao longo do dia, transmitia uma aparência de estar no comando, mas revelava vulnerabilidade.
No dia da cerimônia, Arti foi apresentada como noiva em vestimenta nova, cercada de familiares e amigas. Questionada sobre o sentimento, respondeu de modo pragmático: o que acontece, acontece para todos.
Após o casamento, Arti passou a cuidar das tarefas da casa na casa do marido, mantendo o estudo interrompido. O marido, 21 anos mais velho, continuou com a educação, enquanto ela abriu mão de estudar.
Aos 17 anos, Arti ficou grávida pela primeira vez, mas teve um aborto em 2019. Ela ficou fragilizada fisicamente. Durante a primeira onda da pandemia, em abril de 2020, o pai‑in‑lei informou à jornalista que Arti havia tirado a própria vida.
A história de Arti evidencia as consequências da prática, que nega autonomia a meninas e jovens mulheres, agravando vulnerabilidades durante o casamento e a vida familiar. A reportagem reforça a urgência de ações contra esse fenômeno.
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