- Jogadores exilados do Awami League, convivendo em Kolkata e Delhi, preparam o retorno político no Bangladesh, mesmo com acusações de crimes contra a humanidade e outras.
- Sheikh Hasina, caída do poder, fugou para a Índia e desde então coordena atividades do partido à distância, mantendo contato constante com lideranças no Bangladesh.
- O Awami League está proibido de contestar a eleição de 12 de fevereiro e sua atuação foi suspensa pela gestão interina, que investiga crimes e corrupção.
- A relação entre Índia e Bangladesh ficou tensa, com questionamentos sobre a proteção dada aos exilados e à liderança de Hasina.
- Enquanto a oposição exilada afirma que a eleição não é livre ou justa, Hasina e seus aliados veem o retorno como vitória a ser construída, mesmo diante das acusações contra eles.
Em Bangladeshe, enquanto se aproxima a primeira eleição desde a fuga de Sheikh Hasina para a Índia, figuras do Awami League que vivem em Calcutá veem a possibilidade de retorno como salvaguarda da influência do partido. Na prática, os exilados enfrentam acusações de crimes contra a humanidade, assassinato, sedição e desvio de recursos, segundo registros oficiais locais.
No cotidiano ocupado de shoppings de Calcutá, os políticos do Awami League articulam planos para retomar a atuação política, mesmo após meses de afastamento. O grupo permaneceu em território indiano, buscando manter a organização do partido ativa apesar da suspensão formal de atividades no país vizinho.
O contexto político no Bangladesh ficou marcado pela revolta de 2024, que levou Hasina a deixar o país de helicóptero rumo à Índia, após protestos massivos. Entre os desdobramentos, centenas de membros do partido se refugiaram em Calcutá, próximos à fronteira com Bangladesh.
Em Delhi, Hasina mantém operações políticas a partir de um esconderijo protegido, orientando aliados no Bangladesh por meio de reuniões e chamadas. A participação de Hasina foi alvo de críticas por parte de autoridades bengalis, que questionam o apoio externo à líder exilada.
Essa rede de apoio inclui dirigentes que já ocuparam cargos no parlamento e no governo. Um deles, Saddam Hussain, preside a seção estudantil do Awami League, a Bangladesh Chhatra League, e afirma comunicação constante com a base no país.
As falas destacam a firme esperança de que Hasina retorne ao Bangla, com a ideia de que sua liderança pode ser recebida como legítima pela população. Críticos, no entanto, questionam a credibilidade de promessas de democratização levantadas pelo grupo.
Ao longo de anos, organizações de direitos humanos e relatos da ONU apontaram repressão de dissidentes sob o governo de Hasina, incluindo prisões, desaparecimentos e abusos contra a liberdade de imprensa. Críticas à justiça e à transparência também acompanham o histórico eleitoral.
Para o grupo no exílio, manter atividades do Awami League no exterior tem implicações diplomáticas. O governo indiano tem sido visto como aliado de Hasina, o que dificulta pedidos de extradição presentes por Dhaka diante das acusações contra a liderança.
Em Calcutá, figuras de alto escalão evitam reconhecer plenamente a gravidade das acusações contra o grupo. Alguns parlamentares reconhecem falhas no passado, mas reiteram que as eleições devem ser livres e justas, sob supervisão internacional.
A narrativa dos protagonistas é de que o retorno à Bangladesh depende do desfecho das próximas eleições e de como serão tratadas as denúncias de irregularidades. O exílio é apresentado como atraso temporário, não como derrota política.
– Conteúdo com apoio de repórter adicional. A veracidade das informações é baseada em fontes abertas e reportagens verificadas. Credita-se aos veículos de referência que acompanharam o desenrolar político na região.
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