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Partido pró-militar de Mianmar vence eleições legislativas sem oposição

Partido pró-militar conquista 339 das 420 cadeiras, com mais de 80% dos assentos, sem oposição, fortalecendo a maioria da junta e a possibilidade de indicar o presidente em março

Apoiadores do partido pró-militar de Mianmar fazem campanha no período eleitoral de novembro – foto: Sai Aung Main/AFP
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  • O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), pró-militar, ganhou 339 das 420 cadeiras no parlamento, pouco mais de 80%.

  • As eleições ocorreram em três fases ao longo de um mês e terminaram no último domingo, com votação cancelada em dezenas de distritos por causa da guerra civil desde o golpe de 2021.

  • A vitória garante ao USDP a maioria parlamentar e o direito de nomear unilateralmente o presidente quando o Parlamento se reunir em março, cargo que o chefe da junta, Min Aung Hlaing, não descartou assumir.

  • Analistas veem o USDP como extensão civil do Exército, criada para dar legitimidade ao regime; a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, permanece detida e seu partido foi dissolvido.

  • Mais de 22 mil pessoas seguem em prisões sob controle da junta, conforme levantamento da Assistance Association for Political Prisoners.

O partido pró-militar de Mianmar, o Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), venceu as eleições legislativas organizadas pela junta militar com vitória sem oposição. Segundo a comissão eleitoral, o USDP disputou 420 cadeiras e conquistou 339, equivalentes a pouco mais de 80% do total.

As eleições ocorreram em três fases ao longo de um mês e terminaram no último domingo. Parte da votação foi cancelada em dezenas de distritos devido à guerra civil iniciada após o golpe de 2021, que levou a atual junta ao poder.

Contexto político

A vitória permite ao USDP a maioria parlamentar e o direito de nomear o presidente quando o Parlamento se reunirá em março. O chefe da junta, Min Aung Hlaing, não descartou a possibilidade de assumir o cargo. Analistas veem o USDP como uma extensão civil do Exército, usado para conferir aparência de legitimidade ao regime.

Situação de oposição e direitos humanos

A líder da oposição, Aung San Suu Kyi, permanece detida pelo exército, e o partido por ela defendido foi dissolvido. De acordo com o grupo de monitoramento Assistance Association for Political Prisoners, mais de 22 mil pessoas continuam presas pela junta militar. Entre as consequências do golpe, a violência e o conflito continuam ativos em várias regiões.

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