- A África do Sul expulsou Ariel Seidman, o chargê d’affaires de Israel em Pretória, declarando-o persona non grata e dando-lhe 72 horas para deixar o país.
- O motivo é o ataque insultuoso contra o presidente Cyril Ramaphosa nas redes sociais e o uso abusivo de privilégio diplomático, segundo o DIRCO.
- A medida ocorre em meio ao esfriamento das relações entre os dois países após a África do Sul levar à Corte Internacional de Justiça um caso de genocídio alegado contra Israel, em 2023.
- O governo de Israel e a embaixada no país não responderam de imediato; houve também controvérsia recente envolvendo encontros diplomáticos não informados ao governo sul-africano.
- O DIRCO afirmou que as ações violam a Convenção de Viena e representam abuso de privilégio diplomático, sinalizando tensões diplomáticas entre os dois países.
A África do Sul expulsou o principal diplomata de Israel no país, em resposta a ataques considerados insultantes contra o presidente Cyril Ramaphosa nas redes sociais e ao uso abusivo de privilégios diplomáticos. Ariel Seidman, chefe de missão na embaixada de Israel em Pretória, recebeu a decisão e tem 72 horas para deixar o território.
A DIRCO informou que a medida decorre de violações das normas diplomáticas, entre elas ataques públicos direcionados ao presidente Ramaphosa por plataformas oficiais israelenses e a omissão de informar o ministério sobre visitas de altos funcionários de Israel. O governo sul-africano não detalhou contatos adicionais.
As tensões entre os dois países se intensificaram após a decisão da África do Sul, em dezembro, de levar ao ICJ uma acusação de genocídio contra Israel em Gaza. Em janeiro, o ICJ considerou plausível a alegação, mas o caso tem avançado lentamente e não há previsão de julgamento até o fim de 2027.
Contexto histórico e desdobramentos regionais
A relação entre a África do Sul e Israel é marcada por divergências antigas, principalmente pela pauta pró-Palestina adotada pela gestão sul-africana. A crítica à política de ocupação de territórios palestinos é um fio que atravessa o debate bilateral há anos.
Em 2024, a situação diplomática já havia sido tensa por ações públicas da embaixada de Israel na África do Sul, que chegaram a mencionar custos políticos e mensagens de apoio às posições de Ramaphosa, em momentos de polêmica. A administração sul-africana reagiu com reiteradas lembranças sobre soberania nacional.
A decisão de Declaração de persona non grata foi anunciada pela DIRCO na tarde de sexta-feira, destacando violações graves da norma internacional e do protocolo. A Embaixada de Israel não divulgou comentários oficiais até o momento.
Repercussões e próximos passos
A expulsão ocorre em meio a debates internos sobre cooperação em áreas como agricultura, água e saúde, temas discutidos em visitas de diplomatas israelenses ao território, sem a devida comunicação ao governo sul-africano. Autoridades da região entendem tais encontros como violação de protocolo.
O governo sul-africano reiterou que medidas como essa são tomadas para salvaguardar a soberania e a integridade das relações internacionais do país. A defesa de uma postura firme em questões de direitos humanos continua no centro da narrativa diplomática entre as duas nações.
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