- Em 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promoveu acordo entre a República Democrática do Congo e Ruanda para encerrar o conflito no leste do país, mas a violência tem se intensificado desde então.
- Tropas e o Movimento 23 (M23), apoiados por Ruanda, lançaram offensiva significativa em 2025, deslocando cerca de 200 mil civis.
- Minerais críticos são o cerne do interesse dos EUA na região, com a Congo como grande produtora de cobalto, tantalum, cobre, lítio, estanho e ouro; o acesso às minas sofre com a instabilidade e sanções ainda não aplicadas.
- A pressão financeira internacional ajudou a levar Ruanda à mesa, mas quase não houve nova pressão nos últimos meses; republicanos chegaram a apresentar projeto de sanções para reforçar o processo de paz.
- Há risco de uma partição de fato do Congo caso os acordos não surtam efeito; a M23 avança em território estratégico, enquanto a sociedade civil permanece marginalizada e é necessária justiça transicional e diálogo nacional inclusivo.
O acordo de paz, mediado pelos Estados Unidos, foi assinado no final de 2025 entre a República Democrática do Congo (RDC), o Ruanda e o grupo M23, buscando encerrar o conflito no leste do país. A assinatura ocorreu após reunião na Casa Branca entre o presidente da RDC, o presidente do Ruanda e o então presidente dos EUA.
Apesar do pacto, o cenário no terreno tem piorado. Militares ruandeses e o M23 intensificaram a ofensiva, deslocando centenas de milhares de civis e ampliando o controle de áreas estratégicamente importantes na região de Kivu. Washington classificou as ações como violações dos acordos.
A dependência de minerais estratégicos na região — cobalt, tantalum, cobre, lítio, estanho e ouro — sustenta o interesse americano, incluindo parcerias com empresas dos EUA para explorar minas de minerais críticos. No entanto, a presença de insurgentes e a violência dificultam o acesso a recursos.
Situação no terreno
Desde dezembro de 2025, tropas ruandesas manteram ocupação significativa no leste da RDC, segundo fontes da ONU e organizações de direitos humanos. O conflito provocou a expulsão de até 200 mil civis e aumentou o risco humanitário na região.
O governo congolês é acusado de apoiar grupos armados, enquanto o governo ruandês é apontado como facilitador de atividades de mineração e tráfico de recursos. Organizações internacionais alertam para crimes contra civis, massacre étnico e deportações forçadas.
Medidas e sanções
A administração dos EUA já utilizou sanções para pressionar atores envolvidos no conflito, incluindo indivíduos e redes ligadas a operações mineiras ilícitas. Observadores ressaltam que a continuidade das sanções poderia incentivar mudanças de comportamento entre as partes.
Especialistas indicam que, sem custos reais para os envolvidos, o acordo pode não se sustentar. Parlamentares dos EUA e de blocos europeus defendem ampliar medidas para desestimular o saque de recursos e a tributação de rendas ilegais.
Papel de atores e perspectivas
A participação da sociedade civil é vista como essencial para a legitimidade do acordo. Grupos locais, especialmente mulheres e comunidades afetadas, são citados como essenciais para a transparência e responsabilização.
O caminho para a paz exige mecanismos de justiça translacional e um diálogo nacional inclusivo. Entidades internacionais apontam que o sucesso depende de ações concretas contra atores que alimentam o conflito e de maior transparência nos contratos minerais.
Caminhos para a agenda de paz
Especialistas recomendam que governos estrangeiros mantenham pressão financeira e controlem fluxos de ouro e metais, com monitoramento rigoroso de cadeias de suprimento. A cooperação entre EUA, UE e Reino Unido é apresentada como crucial para aumentar a adesão a padrões de integridade.
A conclusão de acordos econômicos com cláusulas claras de governança, juntamente com mecanismos de responsabilização, é destacada como condição para reduzir a impunidade e consolidar a estabilidade na região.
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