- Integrantes do governo consideraram que contrato com o Banco Master foi um dos motivos que aceleraram a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, anunciada em 10 de janeiro.
- O escritório em que Lewandowski atuava continuou funcionando sob a direção da mulher, Yara, e do filho, Enrique, mantendo a relação contratual com o Master após ele assumir o ministério.
- Lewandowski deixou o Supremo Tribunal Federal em abril de 2023, um mês antes de completar 75 anos, idade limite para atuação na corte.
- Em nota, o ex-ministro confirmou ter prestado serviço ao Master, mas não detalhou o período do contrato, dizendo apenas que, ao assumir o ministério em janeiro de 2024, retirou-se do escritório e suspendeu o registro na Ordem dos Advogados do Brasil.
- A leitura no Planalto é de que o contrato da família com o Master poderia ter obrigado Lewandowski a deixar o governo para evitar desgaste ao Executivo na crise envolvendo a instituição financeira.
A existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório em que atuava Ricardo Lewandowski é apontada por integrantes do governo como um dos motivos que aceleraram a saída do ex-ministro do Ministério da Justiça. Lewandowski deixou o cargo no dia 10 de janeiro.
Segundo apuração da CNN Brasil, o escritório ligado a Lewandowski seguiu operando com a gestão de sua mulher, Yara, e de seu filho, Enrique, mantendo a relação contratual com o Master após a posse no ministério.
Lewandowski atuava no STF por 17 anos, deixando a corte em abril de 2023, pouco antes de completar 75 anos, que é a idade limite para atuação na casa. O caso do contrato teria pesado na avaliação do Planalto.
O ex-ministro confirmou à CNN Brasil ter prestado serviços ao Master, mas não detalhou a duração do vínculo. Disse apenas ter se retirado do escritório e suspenso o registro na OAB ao assumir o ministério.
A assessoria de Lewandowski informou que a saída do ministério ocorreu por motivos pessoais e pela decisão de buscar novos projetos acadêmicos e profissionais. A nota também ressaltou a suspensão da OAB para evitar conflitos de interesse.
A leitura palaciana é a de que, se Lewandowski permanecesse no governo, o presidente Lula poderia enfrentar pressão para a demissão em meio à crise envolvendo o Master, o que dificultaria a agenda do Executivo.
Mudança de tema: repercussões e próximos passos
Aliados citam ruídos com a Casa Civil e dificuldades de aprovação da PEC da Segurança como fatores que já o incomodavam antes da saída. A decisão, segundo fontes, foi tomada de forma rápida no início de 2024.
Não há detalhes oficiais sobre novos cargos ou contratos de Lewandowski após deixar o Ministério da Justiça. A Procuradoria Geral e outras áreas não se manifestaram sobre o assunto até o momento.
A CNN Brasil informou que a apuração continua, com o objetivo de confirmar prazos, valores e condições do vínculo entre Lewandowski, sua família e o Master, bem como eventuais impactos políticos no governo.
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