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Como o bombardeio de Hiroshima foi encoberto

Documentário mostra como a imprensa dos EUA colaborou com o governo na cobertura de Hiroshima e Nagasaki, expondo falhas da liberdade de imprensa

In this black-and-white photo, a group of men lean over a twisted metal object protruding from the ground in a desert landscape. Most of the men wear military uniforms or suits and ties.
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  • O documentário Bombshell da PBS American Experience mostra como o governo conseguiu influenciar a cobertura da imprensa sobre as bombas de Hiroshima e Nagasaki, com foco no jornalista William L. Laurence e no Projeto Manhattan, sob supervisão militar.
  • Laurence teve acesso ao laboratório de Los Alamos, mas passou a atuar como porta-voz da propaganda do governo, omitindo os horrores observados e privilegiando danos estruturais e sucesso militar.
  • Outros episódios destacam a minimização da radiação por parte de cientistas e autoridades, a censura de imagens de Hiroshima pelo Exército e a reportagem de Yoshito Matsushige, fotógrafo japonês, cujas imagens sobreviveram apenas por acaso.
  • Em 1946, o New Yorker publicou o retrato definitivo do desastre com Hiroshima, através de John Hersey, abrindo espaço para questionamentos sobre a versão oficial e levando a mudanças no debate público.
  • O filme aponta que jornalistas independentes desempenharam papel crucial ao expor falhas da narrativa oficial, enquanto o governo manteve o controle da informação, influenciando o clima político e o debate sobre liberdades democráticas.

O documentário Bombshell, da série American Experience da PBS, analisa como a imprensa dos EUA colaborou com o governo na cobertura da decisão de lançar bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. A produção traça a atuação de William L. Laurence, correspondente científico do New York Times, contratado em 1945 pelo general Leslie Groves para narrar o Projeto Manhattan sob supervisão militar.

Laurence teve acesso privilegiado ao laboratório de Los Alamos, em Novo México, e escreveu reportagens que favoreceram a narrativa oficial. Ele acompanhou o teste Trinity e, segundo o filme, minimizou os impactos humanos das armas ao informar apenas danos estruturais e vitórias militares. A relação com Groves moldou o embargo de informações.

O filme destaca a omissão de detalhes das consequências radiais e o papel de outros atores, como o médico Stafford Warren, contratado para avaliar riscos, que foi contrariado pela liderança militar ao apresentar avisos sobre a radiação. O conjunto de decisões gerou descrições parciais e priorizou a contenção de pânico.

Em Hiroshima, o repórter japonês Yoshito Matsushige produziu as primeiras imagens do severo cenário de destruição; as fotografias foram posteriormente apreendidas pelos militares dos EUA. O documentário relembra que a cobertura local, ainda com recursos limitados, repetiu a versão oficial.

Após o lançamento, outros jornalistas desafiariam o silêncio institucional. John Hersey, no New Yorker, publicou Hiroshima em 1946, descrevendo os sobreviventes e quebrando o cerco informacional. A reportagem impulsionou o debate sobre os impactos humanos e a ética do uso das armas.

Detalhes do documentário

Bombshell investiga também o papel de figuras negras e intelectuais na crítica ao uso da ciência militar. Entre eles estão Langston Hughes, Zora Neale Hurston e W. E. B. Du Bois, que questionaram os vieses raciais e a justificativa da bomba. O filme apresenta ainda o jornalista Charles Loeb, do Cleveland Call and Post.

O filme aponta que, mesmo com Hersey, o governo manteve narrativa pró-bomba, com defesas civis e artigos de Henry Stimson defendendo a decisão. Groves, segundo o filme, participou de produções cinematográficas pró-bomba via parcerias com estúdios de cinema, reforçando o viés propagandístico.

Bombshell é exibido com imagens fortes e entrevistas com historiadores. O documentário enfatiza a relação tensa entre governo e imprensa, destacando como o segredo estatal moldou o que o público conheceu do episódio. A obra mostra o peso da transparência jornalística na democracia.

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