- O número de bloqueios de rodovias na Bolívia caiu após acordo entre o governo e a Central Operária da Bolívia (COB), firmado na sexta-feira, com o estado de exceção decretado no sábado.
- No domingo, a Administração de Estradas Bolivianas (ABC) registrou 31 bloqueios em cidades como La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz, menor que os dias anteriores, quando chegou a mais de oitenta.
- O acordo de 90 dias entre o governo e a COB estabelece não criminalizar protestos, não perseguir lideranças e criar uma comissão para liberar manifestantes presos durante as mobilizações.
- O governo também se comprometeu a não privatizar empresas públicas estratégicas nem entregar recursos nacionais a interesses privados, mantendo a mineração estatal fortalecida.
- O presidente Rodrigo Paz decretou estado de exceção junto com críticas de que os bloqueios seriam financiados por narcotráfico; há divergências entre organizações sociais sobre manter ou encerrar os bloqueios.
O governo da Bolívia encerrou parte das mobilizações ao firmar um acordo com a COB, o que coincidiu com a implementação de estado de exceção decretado pelo presidente Rodrigo Paz. Protestos de 50 dias contra políticas consideradas neoliberais reduziram o volume de bloqueios nas estradas do país.
Após dias de tensões, a Administração de Estradas Bolivianas (ABC) informou que amanheceu com 31 bloqueios em cidades como La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz. Ao longo do domingo, esse total caiu para 12, segundo painel de monitoramento da agência.
Acordo com a COB e contexto de crise
Acordo firmado na sexta-feira (19) com a Central Operária da Bolívia (COB) prevê um período de 90 dias para checar compromissos do governo. A COB pediu o fim dos bloqueios para avançar na “pacificação” nacional, conforme o representante Mario Argollo.
Entre os itens acordados estão a não criminalização de protestos, a proteção de lideranças sociais e a criação de uma comissão entre governo e COB para a liberação de lideranças presas. O governo também se comprometeu a não privatizar empresas públicas estratégicas.
Estado de exceção e críticas
No dia seguinte ao acordo, Paz decretou estado de exceção, autorizando toque de recolher em áreas específicas e o uso das Forças Armadas para repressão a manifestantes. O governo afirmou que os bloqueios são financiados por redes de narcotráfico, discurso repetido por autoridades para justificar ações.
A medida gerou reações divergentes: parte das organizações sociais defende manter os bloqueios até a renúncia de Paz, enquanto outras entidades protestam contra abusos e violência policial. Morales argumenta que o movimento é popular e não controlado por lideranças.
Diversidade do movimento e cenários futuros
Especialistas ressaltam que as mobilizações reuniram grupos heterogêneos, incluindo camponeses, trabalhadores e movimentos indígenas, o que dificulta uma posição unificada para encerrar os bloqueios. A volatilidade política aumenta a dúvida sobre o desfecho.
Em meio à crise, o governo reafirma que pretende fortalecer a mineração estatal e evitar privatizações. A oposição mantém o discurso de que os protestos representam demandas sociais, enquanto o país busca estabilizar a economia e a governabilidade.
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