- O artista dissidente russo Semión Skrepetski, de 44 anos, foi morto a tiros na luz do dia em Biała Podlaska, cidade na Polônia a cerca de quarenta quilômetros da fronteira com a Bielorrúsia.
- Segundo a polícia, o assassinato pode ter sido uma execução política; duas pessoas de origem bielorrussa foram detidas durante a investigação.
- Skrepetski denunciou ameaças vindas de seguidores de Kadírov (líder da Chechênia) horas antes de morrer, compartilhando capturas de tela com as supostas ameaças.
- Entre as obras do pintor estavam retratos críticos ao presidente Vladimir Putin e a aliados dele, além de silhuetas da oposição ucraniana; ele vivia em Biała Podlaska desde que deixou a Rússia, em 2021.
- O pintor, que tinha mulher e quatro filhos, ganhou notoriedade por obras provocativas que satirizavam a elite russa e temas políticos, incluindo a guerra na Ucrânia.
Um pistolero matou o artista dissidente russo Semión Skrepetski a plena luz do dia, em Biała Podlaska, no leste da Polônia, nesta segunda-feira. O pintor, de 44 anos, era uma figura conhecida na oposição à liderança russa e criticava Putin em retratos grotescos. O ataque ocorreu horas depois de ele denunciar ameaças de seguidores do presidente checheno Kadírov. A polícia investiga a motivação, com a hipótese principal de execução política.
O atirador disparou diversas vezes a curta distância e finalizou o ataque assim que Skrepetski caiu. Dois cidadãos bielorrussos foram detidos pela fiscalização polonesa, conforme informações da justiça local, enquanto as investigações seguem em andamento. A imprensa regional cita a hipótese de crime político como linha principal de apuração.
Skrepetski havia afirmado ter sua vida em risco pouco antes do assassinato, divulgando capturas de tela de mensagens de ameaças recebidas pela internet, supostamente ligadas aos seguidores de Kadírov. O artista já havia retratado o chefe da Tchetchênia e aliados, de forma provocativa, e usou sua arte para criticar também o entorno de Kadírov, Lukashenko e o Kremlin.
Contexto e investigação
A referência a riscos de vida do dissidente é corroborada por antecedentes de violência contra opositores russos, com casos anteriores de assassinatos atribuídos a agentes russos em território europeu. Em 2019, um dissidente tchetcheno foi morto em Berlim, e, em 2024, houve outras ações relatadas envolvendo agentes russos em Alicante.
Skrepetski, cujo nome verdadeiro era Robert Kuzovkov, morava em Biała Podlaska desde a saída da Rússia em 2021. Entre suas obras, havia retratos em tom ácido sobre líderes mundiais e temas políticos, incluindo críticas à guerra na Ucrânia e à figura de Putin. A vida familiar incluía esposa e quatro filhos, e ele participava de protestos diante de sedes diplomáticas russas, exibindo seus trabalhos como forma de denúncia.
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