- Na quinta-feira, 28, técnicos do Brasil e dos EUA discutiram retirada de taxas impostas por Donald Trump na primeira onda do tarifaço, com o Brasil pedindo cautela na análise dos dados apresentados.
- O encontro levou o governo brasileiro a preparar uma resposta oficial, após Lula receber a sinalização de que haveria divulgação de conclusões do estudo usado para justificar novas sanções.
- O Palácio do Planalto diz que a reação será coordenada para associar a pressão a fatores políticos, citando a atuação de Flávio Bolsonaro como elemento relevante no cenário.
- O governo pretende não reverter a classificação de que organizações consideradas criminosas pelo governo americano representam risco, mas vai expor os riscos dessa definição ao país e ao sistema financeiro.
- Além do tarifaço, há a possibilidade de um segundo conjunto de sanções, apelidado de “tariflavinho”, a cerca de noventa países, com cobrança de quinze por cento a mais; Trump tem até 15 de julho para decidir sobre a tarifa de 25 por cento.
Na última quinta-feira (28), técnicos do governo brasileiro e dos EUA discutiram a retirada de taxas impostas na primeira onda do tarifaço. A reunião, realizada em Brasília, girou em torno de uma possível sobretaxa de 25% a produtos nacionais, com foco em dados que embasaram a denúncia contra o Brasil.
O Brasil pediu cautela na análise dos dados entregues aos norte-americanos, alegando boa fé e transparência nas negociações. Na ocasião, representantes americanos destacaram que haveria prazo para tornar públicas as conclusões do estudo, mas que a divulgação não significava automaticamente a imposição de sanções. A leitura da equipe brasileira é de que houve risco e necessidade de preparação.
A ordem do presidente Lula foi clara: preparar a resposta brasileira e expor os riscos da eventual sanção. A avaliação interna aponta que há uma dimensão política por trás das ações de Washington, citando o envolvimento de Flávio Bolsonaro em encontros com o governo norte-americano.
Contexto político e econômico
O Planalto sustenta que a ofensiva envolve também a mobilização de aliados e o uso de ações com fins eleitorais. No governo, a ideia é manter o alinhamento com a defesa do PIX e de políticas ambientais, sem recuar diante de pressões externas. A defesa passa pela exposição de riscos ao sistema financeiro brasileiro.
Trump tem até 15 de julho para decidir se aplica a tarifa de 25% com base no relatório que aponta entraves à economia dos EUA, incluindo o PIX e políticas ambientais brasileiras. Até lá, o objetivo é desgastar os apoiadores de sanções e manter o ritmo de reação do governo brasileiro.
Possível segundo tarifaço
Além disso, permanece sob avaliação a eventual implementação de um segundo tariffão, referido internamente como tariflavinho. A medida seria de 15% e abrangeria cerca de 90 países, segundo alegações de Washington sobre falas de trabalho forçado em países como a China. A União Europeia também estaria na lista. Caso ocorra, o governo brasileiro afirma estar preparado para responder com a mesma intensidade.
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