- Pavlo Kazarin, escritor e sargento das Forças Armadas da Ucrânia, afirma que a vitória depende de manter a independência, não necessariamente recuperar todos os territórios ocupados.
- Kazarin se alistou voluntariamente em fevereiro de 2022; hoje é sargento, e a mobilização no país envolve milhões de jovens, com muitos evitando o serviço ou desertando.
- Em entrevista realizada em Kramatorsk, ele atribui erros de Moscou ao fortalecimento da identidade ucraniana e à leitura errada das eleições de 2019, que deram vitória a Volodymyr Zelensky.
- O pensador sustenta que a Rússia é irreformável, presa ao seu passado imperial, e que o objetivo da Ucrânia é deter o exército russo e preservar sua soberania, não lutar por territórios específicos como condição de vitória.
- Kazarin destaca que a identidade nacional depende de ideias compartilhadas; cerca de 8 milhões de ucranianos vivem no exterior, e a forma como o desfecho da guerra é percebido pode influenciar a manutenção dessa identidade.
Pavlo Kazarin, intelectual e soldado ucraniano, participa de entrevista em Kramatorsk, Donetsk, no dia 7 de maio. O tema central é a guerra contra a Rússia e a importância da independência para a vitória. A localização foi alterada várias vezes por causa de drones inimigos.
Kazarin, licenciado em filologia e literatura russas, tem 42 anos e nasceu em Simferópol, na Crimeia. Ele está nas Forças Armadas desde fevereiro de 2022, quando a invasão russa ganhou escala, e se alistou voluntariamente nos primeiros dias.
O recrutamento atual na Ucrânia envolve mobilização compulsória, com mais de dois milhões de homens tentando evitar a convocação; mais de 200 mil desertaram, segundo dados do Estado-Maior. Kazarin comenta que a participação civil mudou com o tempo, com maior pressão institucional sobre o alistamento.
Contexto e visão sobre a guerra
Kazarin afirma que a Rússia repetiu erros de 2014 ao não reconhecer o fortalecimento da identidade ucraniana diante da invasão de 2022. A principal diferença hoje, segundo ele, são as redes sociais e a diversidade de vozes na sociedade.
Ele analisa que a crise russo-ucraniana não se resolve apenas pela recuperação de territórios. Em seus argumentos, a vitória depende de deter o exército russo e manter a independência e a soberania, ainda que a reconquista total dos territórios seja desejável.
O pesquisador cita a ideia de que a Rússia não é suscetível a reformas, e sustenta que o império russo, não uma nação, molda decisões históricas. A análise inclui a relação entre passado imperial e a identidade contemporânea da Ucrânia.
Kazarin também comenta o papel da diáspora ucraniana, com mais de 8 milhões de pessoas fora do país. Para ele, o vínculo com a pátria depende de políticas de Estado e do desfecho da guerra, influenciando a percepção de identidade nacional.
Observações adicionais
O político e ex-primeiro-ministro Denis Shmihal, atual ministro de Energia, compartilha visão semelhante: a união da sociedade ucraniana cresce mesmo com as dificuldades da guerra. Kazarin reforça que, para muitos, a identidade nacional está ligada ao futuro da independência.
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