- O presidente Donald Trump anunciou a retirada de, pelo menos, 5.000 soldados da Alemanha, após críticas do chanceler alemão Friedrich Merz.
- Para o ex-chefe do Exército dos EUA na Europa, Ben Hodges, a medida é uma “represália mezquina” sem base estratégica clara.
- Hodges afirma que as bases em Alemanha são essenciais para dissuadir a Rússia e para projetar poder dos EUA na região, além de apoiar operações em África, Oriente Médio, Mediterrâneo e Ártico.
- Ele aponta que a retirada pode envolver a brigada de combate de Vilseck, e que o retorno dessas tropas aos Estados Unidos reduziria significativamente a dissuasão na Europa; também houve a suspensão de uma unidade de mísseis de longo alcance e artilharia que iria para a Alemanha.
- Hodges alerta que muitos países europeus precisarão, em breve, desenvolver capacidade própria para conter a Rússia, caso os EUA reduzam sua presença militar na região.
Ben Hodges, ex-comandante do Exército dos EUA na Europa, qualificou a retirada de tropas da Alemanha como uma “represália mesquinha” e sem estratégia, em entrevista ao EL PAÍS. O anúncio de Trump de retirar ao menos 5 mil soldados ocorre após críticas de Friedrich Merz, líder alemão, sobre a atuação de Washington no Irã.
Hodges diz que bases americanas na Alemanha são essenciais para dissuadir a Rússia, proteger interesses dos EUA e sustentar a OTAN. Em sua visão, a presença militar europeia serve para proteger também áreas como África, Oriente Médio e Mediterrâneo, não apenas os países europeus.
Segundo o ex-general, a decisão de reduzir contingente não está baseada em análise estratégica. O tom aponta para uma possível retaliação de alto nível, sem clareza de planejamento, o que geraria impacto na dissuasão na região.
Sobre a localização provável das tropas, Hodges indica a brigada de Vilseck, na Baviera, como unidade permanente mais provável de remanejamento. Caso seja deslocada para a Polônia ou Romênia, a capacidade na Europa ainda se mantém.
O militar retirado ressalta que a decisão envolve também a suspensão de uma unidade de mísseis de longo alcance e de artilharia que afetaria a defesa europeia frente ao avanço russo com Iskander. A medida, porém, não foi aplicada.
Hodges afirma que a reação europeia é influenciada por interesses comuns e que a retirada pode exigir cooperação entre Alemanha, Polônia e França para desenvolver capacidade de dissuasão contra a Rússia.
Ao comentar a relação entre EUA e aliados, o ex-general diz que, embora haja preparo de grandes setores nos EUA para manter parceria, a percepção de que os Estados Unidos deixam de atuar como parceiros confiáveis tem crescido entre alguns europeus.
Sobre a postura de Merz em relação à Rússia, Hodges critica a aparente constância de pressão de Washington sobre Alemanha, Espanha e Itália, sem o mesmo nível de pressão sobre Moscou, o que ele considera incoerente com objetivos estratégicos.
Por fim, Hodges avalia o cenário interno dos EUA, com insatisfação popular em temas como economia e política externa, mas observa que parte do Congresso continua alinhada com Trump. O ex-general alerta que a fricção atual beneficia apenas a Rússia.
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