- Tibor Navracsics, então ministro de Administração Pública e Desenvolvimento Regional, está prestes a deixar o cargo para ceder lugar a Péter Magyar; ele defende o orbitanismo, mas admite falhas na estratégia eleitoral e na confrontação com a UE.
- Segundo ele, a derrota eleitoral veio possivelmente pela estratégia equivocada, com fatores como cansaço de 16 anos no governo e casos de corrupção que não ajudam a imagem do governo.
- Navracsics afirma que rotular Fidesz como antieuropeu é simplista, mas reconhece que as relações com a União Europeia ficaram muito conflituosas.
- Sobre as investigações de corrupção, diz que é uma pergunta para o próximo governo, e que, se houver evidências, serão apresentadas dentro do Estado de direito.
- O político comenta que Péter Magyar é conservador, com posições firmes sobre migração e minorias, e que a nova ministra de Relações Exteriores, Anita Orbán, tende a buscar menos conflitos com instituições europeias, enquanto as questões com a Rússia permanecem menos claras.
Tibor Navracsics, ex-ministro húngaro e atual titular de Administração Pública e Desenvolvimento Regional, defende o modelo político de Orbán, mas admite erros na estratégia eleitoral e na confrontação com a UE. Em entrevista ao EL PAÍS, ele afirma que a vitória da oposição com certa margem não torna o país antidemocrático.
Navracsics relembra que esteve em cargos-chave: Exteriores, Justiça e comissário europeu. A saída prevista para Péter Magyar e o novo desenho de governo são citados como parte de uma transição que mantém o suporte ao governo atual, com ajustes necessários na abordagem externa. Ele reconhece desgaste político após 16 anos no poder.
O ex-ministro explica que a derrota eleitoral não tem única causa: há temas internos, casos de corrupção e desgaste, além de conflitos com a União Europeia. A percepção de antagonismo com Bruxelas é reconhecida como parte do problema, mas a liderança mantém que o país busca uma relação mais estável com a UE.
Relações com a UE e estratégias futuras
Navracsics argumenta que rotular o governo de antiueuropeísta é simplista. Os cidadãos desejam pacificar as relações, embora tenham ocorrido conflitos interpretados como excessivos. Sobre possíveis investigações de corrupção, ele afirma que caberá ao próximo governo agir conforme as evidências, mantendo o Estado de direito.
O político descreve as perspectivas para o governo seguinte: desmantelar reformas legais e constitucionais, com consenso ainda aberto sobre Rússia e a relação com Ucrânia. Ele aponta que a nova ministra das Relações Exteriores, Anita Orbán, tende a reduzir atritos com instituições europeias, mas afirma ter dúvidas sobre a linha em relação a Rússia e parceiros do leste.
Sobre Péter Magyar e o futuro de Fidesz
Magyar é apresentado como conservador, com posições firmes sobre migração e minorias. Navracsics comenta que Magyar tirou vantagem de vínculos com o Estado, criou uma organização para proteger seus interesses e acabou saindo do partido, deixando dúvidas sobre seu alinhamento ideológico.
Quanto ao balanço democrático, o ex-ministro questiona a ideia de que a oposição, ao conquistar boa parte dos votos, compromete a democracia. Ele afirma que é improvável imaginar um país onde a oposição atinja maioria tão expressiva e ainda assim seja considerado antidemocrático.
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