- Novas gravações, divulgadas entre abril e maio de 2025, ligam Fire Point ao entorno de Zelenski em esquema de corrupção envolvendo Energoatom, com investigações da NABU e SAPO.
- O principal investigado é Timur Míndich, amigo de Zelenski, hoje foragido e refugiado em Israel, que aparece em diálogos sobre financiamento de Fire Point e venda de participação na empresa.
- As conversas também tratam de contratos do Ministério da Defesa para aquisição de equipamentos de proteção e de suposta pressão para ampliar recursos à Fire Point, além de mudanças ministeriais discutidas na época.
- Há menções a uma rede de compras de imóveis ligada a deputados e demais figuras, com foco em facilidades para a chamada urbanização ligada a comissões de Energoatom.
- A reação oficial envolve reiteradas negativas de Zelenski e explicações de autoridades, enquanto o tema divide analistas e acende debates sobre a origem das gravações e possíveis motivações políticas.
O Material divulgado aponta novas gravações que associam figuras do entorno do presidente ucraniano Volodímir Zelenski a possíveis irregularidades envolvendo empresas de defesa e fundos públicos. As gravações foram reveladas entre 28 de abril e 1º de maio por Ukrainska Pravda e por deputados da oposição. O foco é o grupo Fire Point, ligado a Timur Míndich, amigo de Zelenski, e a movimentações financeiras envolvendo Energoatom.
Segundo os documentos, Míndich e o ex-chefe de gabinete Andrii Yermak discutem a ampliação de recursos para Fire Point e a viabilidade de vender parcela da empresa por centenas de milhões de dólares. Em conversas de 2025, também surge a proposta de aprovar contratos para aquisição de equipamentos, como coletes, por meio de empresas ligadas a Míndich. O ex-ministro da Defesa, Rustem Umerov, aparece como interlocutor nesses diálogos.
As investigações são conduzidas pela Agência Anticorrupção de Ucrânia (SAPO) e pela National Anti-Corruption Bureau (NABU), que já identificavam vínculos entre Fire Point e atividades de Míndich desde o início da operação conhecida como Midas. O julgamento envolve ainda ex-ministros e deputados do partido do presidente, Servidora do Povo, com acusações de fraude, lavagem de dinheiro e compra de votos, entre outras acusações.
Entre os nomes citados, destaca-se German Galushchenko, ex-ministro da Energia, detido em fevereiro após tentativa de saída irregular do país, e Oleksiy Chernishov, ex-vicepremier, que também responde a processos. Andrii Yermak, que chefiou a presidência, deixou o cargo após ter o domicílio registrado em investigações, embora não esteja formalmente imputado.
As gravações também conectam Míndich e Serhii Shefir, ex-assessor de Zelenski, a operações para levantar fundos destinados a pagar fianças e a criação de uma rede de aquisição de imóveis. Indícios apontam que deputados próximos a Zelenski estariam envolvidos na compra de dezenas de apartamentos em esquema de lavagem de dinheiro, segundo as investigações.
A oposição tem usado o material para sustentar denúncias sobre supostas tentativas de restringir a independência das agências anticorrupção. Em meio à crise, Zelenski tentou apresentar uma reforma para subordinar a NABU e a SAPO ao Ministério Público, mas a medida não avançou no parlamento devido a críticas nacionais e internacionais.
A divulgação provocou debates sobre a origem das gravações, com hipóteses variando entre divulgação por abogados de defesa para pressionar Zelenski, montagem de concorrentes de Fire Point e possível operação para enfraquecer a indústria de defesa ucraniana. Enquanto aliados do presidente destacam a falta de imputação formal de Umerov, a investigação continua em andamento.
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