- O soldado australiano Ben Roberts-Smith, o mais condecorado do país, é acusado de cinco crimes de guerra no Afeganistão entre 2009 e 2012; o julgamento continua para início de junho.
- Uma sentença de difamação de 2023 indicou que Roberts-Smith executou pessoas desarmadas; o caso atual resulta de cinco anos de investigação, a partir do Informe Brereton.
- Os cargos incluem um por assassinato, um por ter ordenado assassinar e três por ter ajudado, incitado, aconselhado ou facilitado assassinatos; a pena máxima é cadeia perpeta. Ele nega as acusações.
- Roberts-Smith compareceu pela primeira vez por videoconferência em 17 de abril, após ter sido detido no aeroporto de Sydney; foi enviado a fiança de 250.000 dólares australianos, com visitas periódicas à polícia, entrega de passaporte e monitoramento de dispositivos.
- O processo deve seguir até, pelo menos, início de junho, com apresentação de provas até 21 de maio e vista preliminar marcada para 2 de junho; o primeiro-ministro Anthony Albanese não comentou o caso.
Ben Roberts-Smith, soldado australiano de alta condecoración, é acusado de cinco crimes de guerra ocorridos entre 2009 e 2012 em Afeganistão. O caso, que já está no tribunal, é considerado um dos mais excepcionais da história militar australiana. O processo continua em junho.
O julgamento, iniciado com Roberts-Smith apresentando-se por videoconferência em 17 de abril, ocorre após detenção no aeroporto de Sydney. Réu nega todas as acusações, que incluem um assassinato isolado, auxílio e cooperação para assassinato.
O juiz Greg Grogin autorizou a fiança em 17 de abril, impondo medidas como saída controlada, acesso a dispositivos eletrônicos e entrega de passaporte, com fiança de 250 mil dólares australianos. A defesa sustenta a excepcionalidade do caso.
Segundo a Procuradoria, o caso envolve ações em Afghanistan entre 2009 e 2012, durante o comando de Roberts-Smith. A continuação do processo está prevista para as próximas semanas, com prazos de apresentação de provas até 21 de maio e vista preliminar em 2 de junho no Downing Centre Court, em Sydney.
Incidentes concretos
Entre 2009 e 2012, Roberts-Smith atuou no complexo Whiskey 108 e em Darwan. A Fiscalía relata execução de Mohammad Essa e Ahmadullah, pai e filho, após capturá-los em um túnel. O filho foi morto a tiros; o pai, supostamente, foi morto após ordem de Roberts-Smith.
Em outubro de 2012, o ex-soldado liderou busca por um insurgente apelidado Objetivo Pino na aldeia Syachow. Dois homens teriam sido mortos após violência física dentro de um campo de milho, com uso de uma granada para sustentar versão de combate.
Identidades de testemunhas, interrogados e outros envolvidos não foram reveladas pela Justiça. O processo tem origem na investigação de cinco anos iniciada após o relatório Brereton, de 2020, que apontou indícios de mortes de civis por membros da ADF em Afeganistão.
Acusações anteriores
Em 2018, primeiras denúncias contra Roberts-Smith vieram a público, envolvendo agressões, assassinatos, assédio e violência doméstica. Processos por difamação contra veículos de imprensa foram julgados, com decisão favóravel à defesa em parte, mas reconhecendo indícios de quatro homicídios.
A detenção de Roberts-Smith ocorreu em abril, após prática de investigações que resultaram em ações da OSI, criada após o relatório Brereton. O caso envolve ainda o histórico de condecorações do soldado, que incluiu diversas medalhas de valor e serviços, agora sob escrutínio judicial.
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