- Ben Roberts-Smith, ex-militar australiano e detentor da Cruz de Victoria, tem 47 anos e foi preso no aeroporto de Sydney, acusado de cinco crimes de guerra na Afeganistão.
- A detenção ocorre no âmbito de uma investigação conjunta da Polícia Federal Australiana e da Office of the Special Investigator, que desde 2021 apura violações do direito internacional humanitário por tropas australianas no Afeganistão.
- Os crimes envolvem a suposta execução de civis afegãos entre 2009 e 2012, na província de Uruzgan; as vítimas não participavam de hostilidades e estavam desarmadas sob controle de militares australianos.
- O caso integra a operação Emerald-Argon; até agora foram abertos cinquenta e três casos, com quarenta e três encerrados por falta de provas e dez ainda em andamento.
- A pena máxima para crime de guerra por assassinato é prisão perpeta; Roberts-Smith já era um dos militares mais condecorados da Austrália antes das acusações.
Ben Roberts-Smith, o ex-soldado australiano mais condecorado, foi detido na manhã desta terça-feira no aeroporto de Sydney. A prisão ocorre no âmbito de uma investigação sobre supostos crimes de guerra cometidos durante a participação australiana no conflito no Afeganistão. A apuração envolve violações de direito internacional humanitário entre 2009 e 2012 em Uruzgan. A polícia federal australiana e a Office of the Special Investigator conduzem o caso.
A detenção integra a operação Emerald-Argon, que investiga potenciais abusos por parte de tropas australianas no período entre 2005 e 2016. Roberts-Smith, de 47 anos, enfrentará audiência judicial na quarta-feira, conforme informações divulgadas. O ex-militar ficou detido por a noite, aguardando a sessão judicial.
Condecorado com a Cruz de Victoria, o maior reconhecimento militar da Austrália, Roberts-Smith atuou entre 2006 e 2012 em seis missões no Afeganistão, integrando o Regimento do Serviço Especial Aéreo. Segundo o comunicado das autoridades, as acusações incluem execução direta de vítimas e participação como instigador, cúmplice ou ordenante.
As vítimas, conforme apurado, não participavam de hostilidades no momento dos fatos descritos, e algumas estavam detidas, desarmadas ou sob controle de militares australianos. O caso ganha relevância dentro de controvérsias anteriores sobre conduta de tropas australianas na região, incluindo denúncias de mortes de civis desarmados reconhecidas pelo Exército em 2020.
Até o momento, a legislação australiana prevê pena máxima de prisão perpétua para crimes de guerra cometidos por assassinato. A investigação faz parte de um conjunto maior de apurações sobre supostos crimes entre 2005 e 2016, com 53 casos abertos, décadas de controvérsia e reiteradas defesas de que a maioria do pessoal atua conforme a lei.
Autoridades destacam que os fatos investigados representam uma parcela muito restrita das forças armadas australianas, ressaltando o comprometimento da instituição com padrões legais e internacionais.
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