- Nesta semana, foram presos Zhang Youxia, o general mais sênior da China, e Liu Zhenli, em meio a uma purga militar anunciada pelo governo de Xi Jinping.
- Zhang Youxia é acusado de “violações graves da disciplina e da lei” e era visto como aliado próximo de Xi, ocupando desde 2022 o posto de primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central.
- A rapidez com que as acusações foram anunciadas após as prisões é incomum e parece visar impedir qualquer crise dentro das forças armadas.
- A explicação mais plausível envolve investigações de corrupção e questões de prontidão dentro do Exército de Libertação Popular, especialmente no Rocket Force, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
- As purgas levantam preocupações sobre a prontidão militar chinesa a longo prazo e sobre o ambiente de desconfiança entre oficiais, com impactos potenciais na estabilidade interna e na estratégia de Xi Jinping.
O pedido de disciplina envolve dois dos generais mais influentes da China. Zhang Youxia, o mais alto general do país, e Liu Zhenli foram liberados de cargos após acusações de grave violação de disciplina e da lei. A prisão ocorreu em meio a uma série de purgas dentro do Exército de Libertação Popular (PLA) sob Xi Jinping.
Zhang Youxia era visto como um dos mais próximos aliados de Xi e ocupou a posição de vice-presidente de primeira linha da Comissão Central Militar (CMC) em 2022, o que lhe conferia o principal posto operacional militar. Os laços de longa data com Xi, incluindo vínculos familiares, reforçam a dimensão pessoal do afastamento.
Liu Zhenli também aparece entre os alvos da ação disciplinar. Em conjunto, os anúncios foram rápidos: Zhang e Liu não compareceram a uma sessão de estudo de alto nível na semana passada e foram denunciados publicamente apenas quatro dias depois. A velocidade sugere medidas para conter qualquer descontentamento dentro das forças.
A motivação exata da purge permanece obscura, pois o aparato chines de investigações é pouco transparente. Analistas ouvidos pela imprensa destacam a relação entre a investigação de Xi sobre a prontidão e a corrupção no PLA, acentuada após a invasão da Ucrânia em 2022.
A operação ressalta problemas estruturais identificados por Xi, incluindo corrupção sistêmica na Força de Foguetes do PLA e um amplo esquema de favorecimentos ligados a promoções. Tais falhas teriam surpreendido Xi, que acreditava ter eliminado desviações no passado.
Corroboram as editoriais oficiais a ideia de que o controle do partido sobre o exército é fundamental. A acusação de corrupção e a necessidade de reformas profundas criam um ambiente de instabilidade entre os líderes remanescentes.
A consequência buscada, segundo especialistas, é reduzir riscos de avanço militar fora de controle. Entretanto, a continuidade das purgas pode afetar a prontidão operacional do PLA e a confiança interna no comando, especialmente entre oficiais com experiência de combate.
O que se sabe é que novas purgas devem ocorrer, aumentando a incerteza sobre a cooperação interna e a capacidade de planejamento estratégico da China. Observadores apontam que esse clima de desconfiança pode impactar decisões relevantes para a região, como a postura frente a Taiwan.
Ainda não há confirmação de desfechos sobre o núcleo de comando ou sobre eventuais substituições de liderança. Xi Jinping mantém-se em posição de comando, mas sua credibilidade pode ser marcada por este ciclo de mudanças dentro das Forças Armadas.
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